O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) reafirmou nesta sexta-feira (19) que “nunca foi próximo” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto critica a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
“Nós nunca fomos próximos. Estive mais próximo do Bolsonaro, porque fui governador enquanto [ele era] presidente. Foi um presidente que levou coisas boas para os mineiros, e com o senador não tive muito contato. Tive agora no começo do ano em alguns momentos e não concordo com quem lida com esse banqueiro [Daniel Vorcaro], talvez o maior banqueiro bandido da história. Não posso aplaudir ninguém que se aproximou desse banqueiro”, explicou Zema à CBN Recife.
Apesar das afirmações sobre o distanciamento, Zema e Flávio já se elogiavam no início deste ano. O ex-governador de Minas Gerais era considerado um dos nomes para assumir o posto de vice na chapa encabeçada pelo senador fluminense.
Relação entre Zema e Flávio Bolsonaro
No final de abril, antes da divulgação das conversas entre Flávio e Vorcaro, Zema declarou que apoiaria o pré-candidato do PL em um eventual segundo turno. “Eu falo que estou junto para poder tirar o PT de lá“, disse ele na ocasião.
Contudo, após os documentos que revelaram a negociação de R$ 134 milhões entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro serem divulgados, Zema comentou que o caso foi um “tapa na cara do brasileiro”, afirmando que as justificativas do senador não foram “suficientemente convincentes”.
A partir dessa revelação, a relação entre os dois deteriorou-se, impactando também o tratamento de alguns diretórios do Novo em relação a Zema. Por exemplo, na segunda-feira (15), o pré-candidato foi desconvidado de um evento do seu próprio partido em Santa Catarina.
Impactos da Controvérsia em Santa Catarina
Após a divulgação do caso, o presidente do diretório catarinense do Novo, Khalil Zattar, emitiu um comunicado afirmando que, caso não haja uma “mudança drástica” nas falas de Zema sobre Flávio Bolsonaro, o Novo em Santa Catarina poderá se posicionar contra a candidatura do ex-governador de Minas Gerais.
O evento, que seria realizado em Joinville, é ligado ao PL (Partido Liberal), com negociações para que Adriano Silva (Novo) se una ao governador Jorginho Mello (PL) na disputa pelo governo estadual.
Minimizando os Efeitos da Crise
Em entrevista, Zema minimizou a relevância do incidente, afirmando: “Vejo com muita naturalidade a aliança do Novo com o PL nos estados do Sul. O Novo deu liberdade para quem quisesse apoiar outro candidato à Presidência. Temos as propostas que estão acima de qualquer pessoa, que são o combate à corrupção e a manutenção de pessoas ficha limpa, isso continua em todos os lugares. Estou percorrendo os estados para mostrar nossas propostas, que são bem diferentes das dos demais. Os outros pré-candidatos têm sobrenome; eu tenho currículo, tenho entrega.”
Com as declarações recentes, a posição de Zema na corrida presidencial se torna cada vez mais complexa, levando em conta o cenário político em mudança e as alianças em jogo. As relações entre candidatos e suas respectivas bases de suporte, especialmente em um cenário tão polarizado, continuam a se transformar, e a habilidade de Zema em navegar entre esses desafios se torna crucial para suas ambições eleitorais.
A dinâmica entre Zema e Flávio Bolsonaro, agora mais tensa, pode moldar as percepções do eleitorado sobre a direção dos partidos e suas respectivas guerras partidárias no Brasil. As próximas semanas serão decisivas para entender como essas questões impactarão o futuro político do país.
