A Yara, fabricante norueguesa de fertilizantes, enfrenta um desafio significativo em seus resultados financeiros, refletindo um cenário econômico complexo no setor. Recentemente, a empresa registrou um lucro líquido de US$ 199 milhões no terceiro trimestre, apresentando uma queda de 37,8% em relação aos US$ 320 milhões do mesmo período do ano passado. Essa diminuição no lucro é atribuída a uma combinação de fatores, como o aumento dos custos do gás natural na Europa e a redução nas entregas de fertilizantes.
Contrapondo a queda no lucro, a receita líquida da Yara teve uma alta de 9,3%, alcançando US$ 4,48 bilhões. O Ebitda, que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, também experimentou um recuo de 9,5%, passando de US$ 770 milhões para US$ 697 milhões. De acordo com a companhia, os custos mais altos do gás e a diminuição nas entregas afetaram negativamente a receita, apesar dos preços elevados do nitrogênio.
Desempenho de Entregas e Produção de Fertilizantes
No terceiro trimestre, a Yara observou um declínio de 3,3% nas entregas globais de fertilizantes, caindo de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, as entregas totalizaram 16,9 milhões de toneladas, uma redução de 6,1% em relação ao mesmo período anterior.
A produção de fertilizantes também apresentou uma queda. No terceiro trimestre, foram produzidas 4,89 milhões de toneladas, resultando em uma diminuição de 7,7%. Entre janeiro e setembro, a produção total atingiu 15,08 milhões de toneladas. No Brasil, as entregas somaram 1,84 milhão de toneladas no terceiro trimestre, um recuo de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 4,22 milhões de toneladas até setembro.
Especificamente, a produção de fertilizantes NPK, que combinam nitrogênio, fósforo e potássio, recuou 9,4%, enquanto a produção de SSP (superfosfato simples) aumentou 45,8%, passando de 24 mil toneladas no terceiro trimestre do ano passado para 35 mil toneladas neste ano, indicando um crescimento significativo. Embora a produção de amônia tenha caído 19,3% no trimestre, as entregas de amônia apresentaram uma redução leve, atingindo 458 mil toneladas.
Custos e Impactos no Resultado Financeiro
No terceiro trimestre, a Yara ainda enfrentou perdas cambiais líquidas de US$ 64 milhões, uma forte alta em comparação ao ganho de US$ 14 milhões registrado um ano antes. A valorização da coroa norueguesa em relação ao euro resultou em perdas em posições de financiamento interno, mitigadas parcialmente por ganhos relacionados à dívida em dólares.
A empresa observou uma queda de 38% no Ebitda das operações nas Américas, que alcançou US$ 155 milhões no terceiro trimestre. As margens comerciais foram impactadas por uma combinação de redução nas entregas, principalmente no Brasil, e manutenção programada na unidade de Belle Plaine, no Canadá. No acumulado do ano, o Ebitda totalizou US$ 593 milhões, o que representa um recuo de 8% em relação ao ano anterior.
No cenário global, as entregas também foram afetadas pela menor demanda e paradas programadas de manutenção. No entanto, a Yara notou uma recuperação nas entregas de produtos premium na Europa no final do trimestre, indicando uma leve esperança de recuperação.
Perspectivas Futuras e Ajustes de Produção
Diante dos altos preços dos combustíveis, a Yara anunciou que reduziu a produção na Europa, restringindo 150 mil toneladas de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados no terceiro trimestre. Essa estratégia reflete a flexibilidade da empresa em ajustar volumes de acordo com os custos e margens de cada produto, permitindo uma redução de cerca de 1 milhão de toneladas da capacidade de produção anual sem afetar a fabricação de produtos acabados.
A companhia enfrenta um marco desafiador no mercado internacional, com a comercialização de fertilizantes nitrogenados começando lentamente. Incertezas globais, como o conflito no Oriente Médio e as dinâmicas de exportação da China, levaram os compradores a atrasar decisões durante o início do trimestre. Contudo, a Yara notou um aumento nas compras na Europa ao final do período, resultando em uma carteira de pedidos acima da média.
Além disso, a Yara continua com um programa de melhoria de resultados, que busca adicionar US$ 200 milhões ao Ebitda até o fim de 2027 e mais US$ 150 milhões até o final de 2030. Este projeto inclui a otimização de ativos industriais e logísticos, além de realocação de recursos.
A aquisição de uma fábrica de amônia na Costa do Golfo dos Estados Unidos, anunciada em julho, destaca a intenção da Yara de diversificar sua exposição aos custos de energia e expandir sua capacidade de produção competitiva. A transação está prevista para ser concluída até o fim de 2026, alinhando-se com os objetivos financeiros da companhia.
Em resumo, embora a Yara enfrente pressões sobre sua lucratividade devido a custos crescentes e desafios operacionais, a empresa continua proativa em ajustar sua produção e strategicamente navegar no mercado de fertilizantes, visando uma recuperação sustentável em um ambiente econômico incerto.
