A produção de café na safra nova do Brasil para o ano de 2026/27 está começando de forma lenta, com vendas antecipadas que atingiram apenas 16% do potencial produtivo esperado. Esta situação foi indicada pela consultoria Safras & Mercado em um relatório recente. O cenário atual é um reflexo da dinâmica do mercado, onde os produtores estão priorizando a comercialização do café já disponível, em vez de focar nas novas safras.
Desempenho das Vendas Antecipadas de Café
As vendas antecipadas de café da safra nova avançaram apenas dois pontos percentuais desde o mês anterior. Esse progresso está alinhado com o que foi observado no mesmo período do ano passado, porém, diverge da média dos últimos cinco anos, que se aproxima de 25%, segundo informações fornecidas pela consultoria.
Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado, ressaltou que a comercialização da safra de café está em um ritmo lento. Muitos produtores ainda estão concentrados em vender o café da safra anterior (2025/26), que já alcançou 86% da produção colhida no ano passado. Esta estratégia, segundo Barabach, é uma medida cautelosa, garantindo que os produtores tenham fluxo de caixa enquanto aguardam a colheita da nova safra.
Avanço na Colheita do Café
A colheita do café no Brasil para a safra 2026/27 já começou, mas os trabalhos estão progredindo de forma lenta. De acordo com o levantamento semanal da consultoria, até 13 de maio apenas 6% da nova safra havia sido colhida. Este percentual é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, que era de 7%, e também abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 9%. Essa lentidão pode impactar a dinâmica de preços e a oferta futura do café no mercado global.
O clima e as condições de cultivo são fatores que influenciam diretamente tanto o volume quanto a qualidade do café produzido. A expectativa é que, à medida que as colheitas avancem, os produtores consigam entender melhor a qualidade da safra e ajustar suas estratégias de venda.
Impacto nas Expectativas do Mercado de Café
O ritmo lento das vendas antecipadas e da colheita pode gerar incertezas no mercado de café. A expectativa dos especialistas é que, conforme a colheita avance e os produtores adquiram uma visão mais clara sobre a qualidade da safra, as vendas possam acelerar. Isso pode resultar em um efeito positivo sobre os preços, dependendo da oferta final do produto. A demanda global por café permanece alta, o que pode beneficiar o setor, desde que o Brasil consiga recuperar o tempo perdido nas colheitas e garantir uma oferta consistente.
Adicionalmente, a análise sobre a variação de preços no mercado futuro deve considerar a combinação de diferentes fatores, como as taxas de câmbio, o nível de estoques de outras regiões produtoras, entre outros. Portanto, os próximos meses serão cruciais tanto para os produtores quanto para os traders, que devem acompanhar de perto a evolução da colheita e do mercado de café ao redor do mundo.

