O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado como candidato a vice-presidente da chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL). Segundo apuração da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira ao Live CNN, a escolha, no entanto, foi interpretada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um erro estratégico, especialmente por não contemplar uma mulher na vice-presidência.
Segundo Clarissa Oliveira, integrantes da campanha petista avaliam que Flávio Bolsonaro (PL) perdeu uma oportunidade importante de fazer um aceno a eleitorados considerados estratégicos — em especial as mulheres e os evangélicos —, que representam um dos maiores desafios eleitorais para o campo bolsonarista.
Avaliação da Campanha Petista sobre a Chapa
A análise dentro do time de Lula (PT) é de que Flávio Bolsonaro (PL) não precisaria de um vice com o perfil de Alfredo Gaspar (PL-AL) — relator da CPMI do INSS — para travar o confronto político com o atual governo. “É muito mais eficiente e razoável que esse confronto seja feito pelo próprio Flávio”, afirmou Clarissa Oliveira, ao reproduzir a leitura de aliados do presidente.
A analista acrescentou ainda o argumento levantado por uma das fontes ouvidas: “Qual é o ganho de ter duas pessoas na chapa falando a mesma coisa, com perfis parecidos?”
Além da ausência de uma mulher na chapa, a campanha petista também passou a observar outros elementos do discurso de Flávio. Em determinado momento, ele teria afirmado que criou duas filhas para que cuidem dele quando for velho, atribuindo às mulheres um perfil de cuidado.
Esse tipo de declaração, combinado ao histórico de postura de Jair Bolsonaro (PL) em relação às mulheres, é visto como um ativo importante para a campanha de Lula, na avaliação de seus aliados.
Estratégia da Campanha de Lula Focada no Eleitorado Feminino
De acordo com Clarissa Oliveira, a tendência é que a campanha de Lula passe a explorar ainda mais a questão feminina, tema que já estava presente em seu discurso — sobretudo em relação ao feminicídio. O objetivo seria fazer um contraponto a Flávio Bolsonaro (PL) e enfraquecê-lo em um segmento do eleitorado onde, na avaliação do time petista, ele já corre com menos força.
Lula também enfrenta cobranças nesse campo. O petista foi criticado por substituir mulheres em cargos importantes de ministérios para acomodar indicados do Centrão, além de ter indicado homens para o STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo Clarissa Oliveira, a postura do presidente ao longo do mandato foi a de priorizar quem ele considerasse mais adequado para cada cargo, independentemente de gênero.
Considerações Finais sobre a Dinâmica Eleitoral
A analista destacou ainda que a continuidade da aliança com Geraldo Alckmin (PSB) como vice é vista como um elemento central para Lula, o que tornaria qualquer substituição nessa chapa improvável. “Tem outras formas de o presidente da República acenar a esse eleitorado”, concluiu.

