O racismo no futebol voltou a ser um tema de debate intenso após os episódios denunciados na partida entre Rosario Central e Corinthians. Na última sexta-feira (14), o clube argentino se manifestou sobre essas denúncias, apresentando uma versão distinta da ocorrida durante o jogo. Essa controvérsia levantou questões sobre a conduta de torcedores e ações de discriminação em eventos esportivos.
Posição do Rosario Central
Em sua declaração nas redes sociais, o Rosario Central acusou torcedores do Corinthians de comportamentos que considerou como “racistas, discriminatórios e provocativos”. A nota destacou que parte da torcida visitante teria exibido repetidamente cédulas de pesos argentinos e uma camisa da seleção espanhola, o que foi interpretado como um desrespeito ao país e à torcida local.
A publicação oficial do clube expressou: “Esses fatos são inadmissíveis e de uma gravidade que não devemos normalizar”. O Rosario Central também anunciou que possui provas e pretende encaminhá-las à Conmebol para que medidas cabíveis sejam tomadas.
Controvérsia em torno da denúncia
A principal controvérsia em meio a esse episódio diz respeito à denúncia feita pelo goleiro Hugo Souza do Corinthians. Durante o segundo tempo, ele afirmou ter sido alvo de insultos racistas vindos da arquibancada e fez a comunicação imediata ao árbitro da partida. O juiz, por sua vez, suspendeu o jogo e ativou o protocolo antirracismo da Conmebol.
O capitão do Rosario Central, Di María, também interveio, pedindo que os torcedores cessassem os xingamentos. Contudo, após a denúncia, o clube fez insinuações de que essa ação poderia ter sido uma estratégia do Corinthians, sugerindo que o tema da discriminação foi explorado como um artifício para obter vantagem esportiva: “A discriminação é um tema sério demais para ser utilizado como um artifício a serviço da conveniência desportiva”.
A resposta do Corinthians
Em resposta aos problemas enfrentados por Hugo, o Corinthians se manifestou condenando veementemente os insultos racistas. O goleiro, durante uma entrevista à ESPN, expressou sua indignação, afirmando que “parece uma coisa comum” em encontros no exterior, reforçando que xingamentos como “macaco” e “negro de merd*” são frequentes. Ele enfatizou a necessidade de registrar e comunicar as agressões para que a situação não seja ignorada.
Além da declaração de Hugo, o Corinthians anunciou que exigirá uma investigação que possibilite a identificação e punição de torcedores envolvidos em atos de discriminação durante a partida. O clube brasileiro reafirmou seu compromisso em combater o racismo, buscando criar um ambiente mais respeitoso no futebol.
Em meio a essa disputa, o Rosario Central também iniciou uma investigação interna para apurar a veracidade das alegações e, caso qualquer torcedor do clube seja identificado como responsável por ações discriminatórias, serão tomadas as ações corretivas necessárias. O clube argentino ressaltou que não tolera qualquer forma de discriminação, e que trabalha para manter um ambiente saudável dentro de sua instituição.
A complexa rede de acusações entre os clubes ilustra um desafio contínuo no mundo do futebol, onde episódios de racismo necessitam de resposta contundente e efetiva. Ambos os times estão agora sob o olhar atento da Conmebol e do público, aguardando desenvolvimentos futuros e a implementação de medidas que visem erradicar essas práticas do esporte.
Por fim, o Rosario Central enfatizou sua posição contra a discriminação, afirmando que se compromete a continuar investindo esforços para fortalecer um clube que defenda valores de respeito e inclusão, ressaltando que cabe a todos os envolvidos no futebol tomar ações concretas para que fatos como este não voltem a ocorrer.

