O presidente da Rússia, Vladimir Putin, está ignorando os chamados para discutir a paz com Kiev, de acordo com fontes próximas ao Kremlin. Os novos ataques aéreos ucranianos, focados em refinarias de petróleo e portos na Rússia, apenas reforçaram sua determinação em continuar o conflito, agora em seu quinto ano.
Duas das fontes, que falaram em condição de anonimato, indicaram que a expectativa de uma intensificação dos combates é alta. Uma delas, que se reúne frequentemente com Putin, estimou que a probabilidade de escalada nos próximos meses é “muito alta”. Essa avaliação surge após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que acredita que Putin deseja encerrar a guerra e que uma solução pode estar mais próxima do que se imagina.
Trump teve conversas separadas com Putin e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na semana anterior. Durante a cúpula da Otan, Zelensky mencionou que abordaram “ideias para promover a paz”. Não houve resposta da Casa Branca a pedidos de comentários sobre essas conversas.
Uma das fontes que compreendem a posição de Putin revelou que ele está firme em seu objetivo de conquistar a totalidade da região de Donbass, no leste ucraniano. Apesar das dificuldades que o avanço russo enfrentou neste ano, Putin teria reprimido conselheiros que sugeriram um acordo baseado em um cessar-fogo ao longo das linhas de frente atuais. Outra fonte afirmou que ele está confiante de que a Rússia logo tomará o controle total de Donbass.
Em junho, Putin já havia rejeitado publicamente um convite de Zelensky para um encontro e um cessar-fogo. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, assegurou que a Rússia busca uma solução pacífica, mas também tem a capacidade de agir de forma independente na chamada operação militar especial.
Um importante funcionário ucraniano mencionou que os recentes relatórios de inteligência de Kiev apontam que Putin está se preparando para novas ofensivas na Ucrânia, e não em direção à paz. Essa proximidade em novos ataques pode incluir operações contra outros países europeus, levantando preocupações sobre a escalada do conflito.
Analistas militares ocidentais destacam que a Rússia poderá precisar convocar homens em idade militar para alcançar seus objetivos em Donbass, um movimento que é impopular politicamente e que Putin busca evitar desde o início da guerra. Especialistas russos também discutem sobre uma possível escalada do conflito, contemplando ataques a bases da Otan nos países bálticos, o que poderia gerar um confronto direto com a aliança liderada pelos Estados Unidos.
Custos Crescentes da Guerra
A guerra tem gerado consequências severas, como escassez de combustíveis na Rússia, resultado de ataques vigorosos a refinarias e portos. Embora a aprovação de Putin tenha permanecido relativamente alta, ela atingiu seu nível mais baixo desde o início da guerra, conforme pesquisas recentes. Os aliados da Ucrânia indicam que a dinâmica do conflito está mudando e defendem novas sanções econômicas para pressionar Putin a encerrar suas ações militares.
Os avanços militares ucranianos têm gerado um clima de frustração entre os líderes russos, forçando Putin a responder de maneira enérgica aos ataques. Na semana passada, as forças russas realizaram grandes ofensivas aéreas contra a Ucrânia, afetando não apenas alvos militares, mas também provocando a morte de dezenas de civis.
Diante de seus generais, Putin enfatizou a necessidade de conquistar mais território ao longo da fronteira com a Ucrânia, além de procurar garantir uma “zona de segurança”. Um ex-funcionário do Ministério da Defesa da Rússia sugeriu que uma escalada poderia começar com a destruição de grandes instalações industriais na Ucrânia e a intensificação de ataques a infraestruturas críticas, como a usina siderúrgica e o porto de Odessa.
A Rússia já provocou prejuízos extensos a empresas e portos na Ucrânia, afetando a produção e as exportações devido a repetidos ataques às instalações de energia. A próxima fase do conflito, conforme previsão de Ilnitsky, poderia envolver ataques diretos a bases da Otan e a instalações da União Europeia, tudo isso sob o pretexto de garantir a segurança da Rússia face à militarização da Europa, como alegou Peskov.
Uma Guerra de Desgaste em Donbass
No meio dessas conversas sobre uma potencial escalada, as forças russas enfrentam dificuldades significativas no campo de batalha. A conquista de Donbass parece exigirá um tempo prolongado e um número elevado de baixas, com recentes estimativas indicando que cerca de dois milhões de soldados foram mortos, feridos ou estão desaparecidos desde o início da invasão em larga escala em 2022.
Até o momento, os drones ucranianos têm desempenhado um papel crucial ao neutralizar a vantagem numérica das forças russas em uma linha de frente que se estende por 1.200 quilômetros. Recentemente, os russos têm lutado para avançar em Kostiantynivka, considerada uma linha defensiva essencial na região de Donetsk, embora Putin tenha afirmado que a cidade foi capturada, algo que a Ucrânia nega.
Neste novo cenário, Putin enfatiza a necessidade de uma vitória significativa para justificar as perdas e manter o moral elevado entre suas tropas e a população russa. Com as complexidades geopolíticas em jogo e a crescente pressão para uma escalada, o futuro da guerra na Ucrânia continua incerto.
