A IMC Rare Earths, dona de um projeto de terras raras localizado entre a Bahia e Minas Gerais, levantou US$ 20 milhões, cerca de R$ 101 milhões, em uma oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos, chegando à NYSE American, em Nova York.
A operação envolveu a venda de 4 milhões de ações por US$ 5 cada. Os bancos responsáveis pela oferta poderão comprar outros 600 mil papéis no prazo de 45 dias. Se a opção for exercida totalmente, a captação bruta poderá aumentar para US$ 23 milhões.
Apesar da entrada no mercado de capitais americano, a IMC é ainda uma empresa em estágio inicial de exploração. A companhia não possui minas em operação e não registra receitas, mas a expectativa é que o projeto Itarantim se desenvolva nos próximos anos.
IMC Rare Earths e o Projeto Itarantim
O principal ativo da empresa é o Projeto Itarantim, situado a cerca de 10 quilômetros do município de mesmo nome, próximo à divisa entre Bahia e Minas Gerais. O depósito é formado por argilas de adsorção iônica, uma modalidade que tem despertado interesse por permitir a extração de terras raras sem as etapas de britagem e moagem normalmente utilizadas em depósitos de rocha dura.
Entretanto, a própria IMC reconhece que o projeto ainda precisará passar por novas campanhas de perfuração, testes metalúrgicos, estudos ambientais, avaliações econômicas e processos de licenciamento. Isso é fundamental para determinar se uma mina comercialmente viável pode ser construída no local.
Financiamento e exploração
Do total de US$ 20 milhões captados, a IMC estima receber aproximadamente US$ 16 milhões líquidos, após o pagamento de comissões e despesas jurídicas. A previsão é destinar US$ 13 milhões, o equivalente a 81% dos recursos líquidos, à exploração e ao desenvolvimento do Projeto Itarantim.
Outros US$ 2 milhões serão empregados em licenciamento e obtenção de autorizações, enquanto US$ 1 milhão será utilizado para despesas administrativas. Portanto, o dinheiro captado não será utilizado para iniciar imediatamente a construção de uma mina. Os recursos financiarão os trabalhos necessários para reduzir as incertezas geológicas, metalúrgicas, ambientais e econômicas que ainda cercam o projeto.
Entre os próximos passos, a company planeja realizar a perfuração de mais 175 poços, com o intuito de ampliar o conhecimento sobre o depósito e aumentar a confiança nos recursos minerais apresentados. A IMC também pretende realizar novos testes metalúrgicos e estimativas mais detalhadas de custos, além de estudos de engenharia e planejamento de mina, avançando posteriormente para uma avaliação econômica mais completa.
A expectativa do mercado
O IPO — que refere-se à oferta pública inicial — ocorre quando uma companhia vende ações ao público e passa a ter suas ações negociadas em uma Bolsa. As ações da IMC foram listadas na NYSE American sob o código “IMC”. Considerando as 105,1 milhões de ações que a companhia terá após a oferta e o preço inicial de US$ 5 por papel, o IPO atribui à empresa um valor de mercado teórico de aproximadamente US$ 525,5 milhões.
Apenas 4 milhões de ações, ou aproximadamente 3,8% dos papéis da companhia após a operação, foram vendidos diretamente no IPO. O fundador e CEO da empresa, Francesco Scolaro, e companhias ligadas a ele continuarão controlando cerca de 68% do poder de voto, o que proporciona estabilidade na governança da empresa.
A IMC afirma que as campanhas de exploração realizadas até agora identificaram aproximadamente 1,1 bilhão de toneladas de recursos minerais, com teor médio de 1.233 partes por milhão de óxidos totais de terras raras. Porém, é importante esclarecer que o volume se refere à quantidade estimada de material mineralizado existente no depósito, e não a 1,1 bilhão de toneladas de terras raras em si.
A concentração dos elementos de interesse representa uma pequena parcela desse material. Todo o recurso mineral apresentado pela companhia está classificado como inferido, a categoria com o menor grau de confiança geológica. Isso significa que ainda são necessárias mais perfurações e análises para confirmar a continuidade, os teores e a distribuição da mineralização.
Recursos inferidos não podem ser tratados como reservas minerais. Portanto, a própria IMC alerta que não há garantia de que os recursos sejam convertidos em categorias de maior confiança ou, posteriormente, em reservas confirmadas.
Até o momento, os testes metalúrgicos realizados foram majoritariamente em escala de laboratório. Embora os resultados iniciais indiquem que parte das terras raras pode ser recuperada por meio de processos de lixiviação, ainda não há evidências de que isso possa ser realizado de forma economicamente viável em larga escala industrial.
A companhia também não finalizou estudos detalhados de engenharia, desenho de mina, ou estimativas completas dos investimentos necessários para colocar o projeto em produção. Assim, o desenvolvimento do Projeto Itarantim certamente demandará tempo e recursos, seguindo as etapas indicadas por especialistas da área.

