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Preocupação com saúde mental das empresas atinge novos patamares

Preocupação com saúde mental das empresas atinge novos patamares

O cuidado com a saúde emocional no trabalho é um tema que ganha cada vez mais destaque no mundo corporativo. Neste sábado (10), Dia da Saúde Mental, é essencial refletir sobre como as empresas têm lidado com o bem-estar de seus colaboradores. No Brasil, um estudo recente da Starbem revela que cerca de 72% da força de trabalho opera em “modo de sobrevivência”, um dado alarmante que evidencia a necessidade urgente de intervenções mais eficazes nas organizações.

De acordo com o anuário “Saúde Mental das Empresas”, lançado neste mesmo dia pelo Instituto Philos Org, as grandes corporações estão cada vez mais atentas ao tema. Em 2026, a pontuação média de preocupação com o bem-estar dos funcionários chegou a 8,02 pontos, indicando um leve recuo em relação a 2025, que registrou 8,19. Contudo, esse índice já é significativamente mais alto do que os dados de 2023 e 2024, que apresentaram 5,40 e 5,06 pontos, respectivamente.

O anuário considera os relatos integrados das empresas, que prestam contas à sociedade e buscam agregar valor aos seus negócios. Em 2026, o Setor Financeiro continuou a ser o mais destacado, alcançando 10,8 pontos. O Banco do Brasil ocupou a primeira posição nesse ranking, seguido pelo Bradesco e Itaú Unibanco, evidenciando uma tendência positiva em busca da saúde mental dos colaboradores.

A importância do investimento em saúde emocional

O aumento das preocupações com saúde mental no ambiente de trabalho reflete não apenas nas estatísticas, mas também no impacto financeiro. O INSS divulgou que os afastamentos por transtornos mentais custaram cerca de R$ 1 bilhão. O levantamento apontou que 1 em cada 7 trabalhadores se afastou devido a problemas emocionais, uma marca preocupante que revela a fragilidade do bem-estar psicológico no mercado de trabalho.

Neste contexto, o laborar em condições adversas, a pressão por resultados e a falta de apoio psicológico tornam-se fatores determinantes no crescimento dos índices de adoecimento. Nesse sentido, a atualização da Norma Regulamentadora n°1 surge como uma resposta a essa crise. A norma exige o gerenciamento de riscos psicossociais, incluindo aspectos como assédio moral e jornadas exaustivas.

Saúde emocional: estratégia para a produtividade

As consequências de um ambiente de trabalho desgastante são graves. O esgotamento físico e emocional, popularmente conhecido como síndrome de Burnout, é um fenômeno que afeta a produtividade dos colaboradores. A síndrome se caracteriza por exaustão, distanciamento do ambiente profissional e queda na eficiência.

Além do impacto na saúde mental, as empresas que não tratarem desse assunto de maneira efetiva estarão propensas a uma redução de competitividade, como demonstrado por um levantamento do FGV Ibre, que indicou uma queda de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre de 2026.

Para Amanda Bittencourt, gerente da operadora de saúde Care Plus Ocupacional, a nova norma vem para estruturar formalmente a gestão dos riscos psicossociais nas organizações. A implementação dessa norma é um passo crucial para que as empresas reconheçam padrões prejudiciais e ajam preventivamente, abordando a raiz dos problemas emocionais.

Transformando a cultura organizacional

O reconhecimento da saúde mental como parte integral da saúde do trabalhador é fundamental para uma mudança efetiva. As empresas precisam refletir sobre seus modelos de gestão, carga de trabalho e ambiente, que muitas vezes são fontes de estresse para os funcionários. A promoção de uma cultura organizacional que valorize o bem-estar emocional pode ser a chave para tornar o ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.

Investir na saúde mental dos colaboradores se traduz em vários benefícios, como a diminuição de afastamentos, aumento da satisfação no trabalho e, consequentemente, melhores resultados financeiros para a empresa. Empresas que se destacam em cuidar do bem-estar emocional de seus funcionários não apenas reduzem custos, mas também melhoram a produtividade e o clima organizacional.

Assim, à medida que as organizações abraçam essa transformação, o futuro do trabalho se torna mais sustentável, respeitoso e produtivo. O desafio é grande, mas os resultados são inegáveis. Reconhecer e cuidar da saúde emocional no ambiente laboral não é apenas uma responsabilidade, mas uma estratégia que pode favorecer a todos.

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