Os preços futuros do café arábica avançaram com força na Bolsa de Nova York nesta terça-feira (24), impulsionados pela expectativa de oferta restrita. O contrato com vencimento em maio subiu 2,32%, cotado a US$ 3,178 por libra-peso.
De acordo com as informações do Barchart, os preços do café estão em forte alta hoje com o arábica atingindo o maior valor em sete semanas. “Os cafeicultores brasileiros estão retendo a produção na expectativa de preços mais altos, o que leva a uma escassez no mercado à vista e impulsiona os preços futuros”, informou.
Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz tem interrompido o transporte marítimo global e apertado a oferta mundial de café. “O fechamento da hidrovia aumentou as taxas de frete marítimo, os custos de seguro e combustível, elevando os custos para importadores e torrefadores de café”, destacou o Barchart.
Com relação às condições climáticas no Brasil, a Somar Meteorologia informou nesta segunda-feira que Minas Gerais, a maior região produtora de café arábica do Brasil, recebeu apenas 14,1 mm de chuva na semana passada, o que representa apenas 45% da média histórica.
A consultoria StoneX elevou a estimativa de produção brasileira para 2026/27 para um recorde de 75,3 milhões de sacas, acima da estimativa de novembro de 70,7 milhões de sacas.
Por outro lado, os estoques monitorados pela ICE atingiram o maior patamar em 5,75 meses, chegando a 585.621 sacas na última quarta-feira (18).
O impacto no mercado de açúcar
Os preços futuros do açúcar registraram avanços na bolsa de Nova York, em que o contrato para entrega em maio teve queda de 1,15% e ficou precificado em US$ 15,52 por libra-peso. O Tranding View destacou que os contratos futuros de açúcar subiram para o nível mais alto desde meados de outubro de 2025, impulsionados principalmente por um novo aumento nos preços do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio.
“Os ataques contínuos, os sinais contraditórios entre os EUA e o Irã e o possível envolvimento do Golfo mantiveram a incerteza em níveis elevados”, destacou a análise do Tranding View. Com o aumento dos preços do petróleo, observa-se uma tendência crescente de direcionar a produção de cana-de-açúcar para a produção de etanol, o que reduz a oferta de açúcar no mercado internacional.
Segundo um relatório de Czarnikow, vários países da Ásia estão expandindo o uso de etanol em combustíveis para transporte em meio aos altos preços do petróleo, que continuam a pressionar a demanda por gasolina.
Desempenho do cacau e algodão
Os preços do cacau finalizaram a sessão com valorização de 1,73% na Bolsa de Nova York, em que o contrato para entrega em maio ficou cotado em US$ 3.235 por tonelada. De acordo com o Tranding View, os preços do cacau subiram em decorrência de uma leve cobertura de posições vendidas, impulsionada por preocupações de que o fechamento do Estreito de Ormuz leve a uma escassez de fertilizantes na África Ocidental antes da próxima temporada de plantio.
Além disso, os fechamentos no Estreito aumentaram as taxas de frete globais e os custos de seguro, elevando assim os custos para os importadores de cacau. Relatórios de produtores da Costa do Marfim e de Gana indicam que as chuvas frequentes nas principais regiões produtoras contribuíram para uma boa formação das vagens, o que reforça a perspectiva de um fornecimento confortável a curto e médio prazo.
Por fim, os preços futuros do algodão também tiveram um desempenho positivo, com o contrato de maio avançando 0,65%, sendo negociado a US$ 67,57 por libra-peso. Os estoques de algodão certificados pela ICE permaneceram inalterados no início desta semana, em 115.640 fardos.
Outros produtos em destaque
O contrato futuro para entrega em maio do suco de laranja fechou o dia na bolsa de Nova York cotado a US$ 1.719,50 por tonelada e com um ganho de 6,17%. O mercado de commodities continua a ser influenciado por diversos fatores externos, incluindo questões climáticas e geopolíticas, que afetam diretamente a oferta e a demanda dessas importantes matérias-primas.