O PL (Partido Liberal) decidiu retomar as discussões em defesa da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ou CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Master, mesmo ciente das dificuldades que envolvem essa proposta. A estratégia partiu da necessidade de mostrar à sociedade que o partido está ativo e engajado em questões importantes, mesmo com a urgência das eleições se aproximando.
Desafios para a CPI do Master
Membros da direita reconhecem que convencer a cúpula do Congresso a abrir uma CPI a poucos meses das eleições é uma tarefa árdua. Contudo, a leitura interna é de que o PL transmitirá a mensagem de que “fez sua parte de cobrar” a criação do colegiado, independente das chances reais de concretizar essa iniciativa.
O presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), já teve a oportunidade de promover uma sessão conjunta onde poderia ter lido o requerimento para a criação da comissão mista. Porém, essa medida não ocorreu, deixando cada vez mais evidentes as dificuldades em avançar com a proposta. O foco da última sessão foi a análise do veto do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao projeto de lei da dosimetria, que foi derrubado pelos parlamentares.
A Reação da Direita e da Esquerda
Após um período de silêncio em relação à CPMI, especialmente por parte de aliados de Flávio Bolsonaro (PL), a situação mudou com a revelação de conversas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para integrantes do PL, esta comissão pode ser uma forma de demonstrar aos eleitores que não têm nada a temer com a crise envolvendo o Banco Master.
Flávio, em um vídeo recente, se defendeu das acusações relacionadas a pedidos de dinheiro ao ex-banqueiro, alegando que solicitava recursos para finalizar um filme sobre a história do pai, Jair Bolsonaro (PL). Essa justificativa também é vista como uma estratégia para desviar as atenções e tentar preservar a imagem do partido.
Além disso, há uma expectativa entre os aliados de Flávio de que uma eventual CPMI possa afetar o PT, principalmente no que se refere a negócios na Bahia, onde um ex-sócio de Vorcaro está envolvido. Isso poderia abrir um novo flanco na disputa política, intensificando as acusações e embates entre as partes.
O Cenário Atual para a Comissão
Nos últimos dias, alguns políticos do PT começaram a insistir na criação da CPMI ou CPI sobre o Master. Contudo, até o momento, não houve progresso significativo nessa direção. Nos bastidores, caciques partidários permanecem céticos sobre a eficácia de uma comissão neste estágio da legislatura, dado que as investigações pela Polícia Federal continuam em andamento e diversos convocados têm conseguido obter habeas corpus no Supremo. Essa situação reduz ainda mais a probabilidade de um andamento efetivo da comissão.
Para muitos analistas, a criação de uma CPMI ao invés de promover resultados concretos poderia resultar apenas na ampliação de palanques eleitorais, se tornando mais uma ferramenta para as campanhas que se aproximam. Essa perspectiva faz com que o debate em torno da CPI seja menos sobre a responsividade e mais sobre a visibilidade política que poderia trazer a cada partido envolvido.
Ainda assim, a pressão em torno da CPI do Master é uma demonstração de como o ambiente político no Brasil está cada vez mais incerto, especialmente com as eleições à vista. O desafio agora para todas as partes é decidir se vale a pena a batalha pública em torno da criação da comissão ou se é melhor concentrar esforços em outros fronts.