Os impactos do conflito no Oriente Médio e das mudanças climáticas estão prestes a afetar os preços dos alimentos, especialmente no segundo semestre de 2026. Essa avaliação foi divulgada pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados) nesta quarta-feira (8), com insights do vice-presidente Marcio Milan sobre como as tensões geopolíticas e o fenômeno El Niño podem influenciar a economia.
Conflito no Oriente Médio e os preços do petróleo
A guerra entre os Estados Unidos e o Irã, iniciada em fevereiro de 2026, provocou um aumento robusto nas cotações do petróleo Brent e WTI, que chegaram a US$ 120 nas primeiras semanas do conflito. Com o desenrolar da violência e incertezas sobre o Estreito de Ormuz, onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo, os preços não parecem estabilizar.
Novos ataques confirmados e sanções entre os países ampliam a volatilidade, refletida nas cotações que avançaram mais de 5% recentemente, aproximando-se de US$ 80 o barril. Essa situação crítica pode provocar um efeito dominó na cadeia de abastecimento, pressionando ainda mais os preços de itens essenciais.
Fenômeno El Niño e seus efeitos na agricultura
Outro fator crítico que deve ser monitorado atentamente é o El Niño, previsto para o segundo semestre de 2026. Com um potencial de 63% de intensidade, essa versão deve ser uma das mais fortes registradas desde 1950, afetando severamente a produção agrícola no Brasil.
O El Niño impacta quatro frentes sensíveis da economia brasileira, especialmente em relação à produção de alimentos. De acordo com Milan, esses efeitos já estão sendo observados, com a elevação nos preços de produtos como a batata, o tomate e a cebola. Recentemente, a cesta de consumo básico, que abrange 35 produtos essenciais, teve uma alta de 2,16%, elevando o preço médio para R$ 854,91.
Aumento contínuo dos preços e a preocupação das famílias
No último mês, o feijão foi um dos produtos que mais pressionaram a inflação, com alta de 6,44% em maio e avanços de 41,09% no acumulado do ano. Outros alimentos, como arroz e leite longa vida, também registraram aumentos significativos. O hortifruti teve altas impressionantes, com a batata subindo 44,69% e o tomate 20,62% na comparação mensal.
Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior variação de preços, com uma alta média de 2,79%, embora ainda mantenha a cesta básica mais econômica do país. No Norte, porém, o custo da cesta alcançou R$ 939,79, o que indica que a pressão inflacionária é desigual em diferentes partes do Brasil.
Apesar do aumento considerável nos preços dos alimentos, o consumo das famílias brasileiras ainda registrou crescimento. Comparando com o ano anterior, o índice de consumo em maio de 2026 subiu 3,93%, algo que pode ser atribuído ao aumento da renda das famílias devido a pagamentos de restituição do Imposto de Renda, antecipação do 13º salário e benefícios sociais.
A receita de várias famílias foi impulsionada por essas injeções financeiras, ajudando a equilibrar as contas mesmo em um cenário de juros elevados e consumidores mais cautelosos. O dia das mães, um evento sazonal importante, também contribuiu para um aumento de aproximadamente 9,5% no consumo durante a semana da celebração, comparado ao ano anterior.
Com a situação atual, a Abras continuará a monitorar tanto o impacto do conflito no Oriente Médio quanto os efeitos do El Niño, já que ambos possuem potencial de agravar a alta dos preços, afetando diretamente a vida das famílias brasileiras nos próximos meses.
