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Petróleo deixa de ser problema central da guerra em 2023

Petróleo deixa de ser problema central da guerra em 2023

A atual escassez de petróleo refinado surge como uma preocupação crescente para economistas e analistas de mercado. Desde o início do conflito no Oriente Médio, especialmente as tensões entre os Estados Unidos e o Irã, a capacidade global de refinar petróleo está longe de suas capacidades ideais. Com o cenário geopolítico cada vez mais instável, os desafios de abastecimento aumentam a pressão sobre a economia global.

A gasolina tem se tornado um dos combustíveis mais impactados. Embora o fluxo de petróleo bruto esteja retornando, a capacidade de refiná-lo em produtos utilizáveis, como gasolina e diesel, está severamente limitada.

Recentemente, centenas de milhões de barris de petróleo conseguiram sair do Golfo Pérsico, permitindo uma leve melhora nas reservas globais. Entretanto, essa corrente de petróleo não se traduz automaticamente em energia utilizável. O petróleo bruto precisa ser refinado em produtos que atendam às necessidades do cotidiano, como asfalto, plásticos, e, especialmente, gasolina.

Infelizmente, a capacidade de refino mundial é profundamente insuficiente. A cadeia de suprimentos sofreu grave impacto durante a guerra e, nos últimos meses, o Irã lançou ataques a refinarias na região do Oriente Médio. A destruição de instalações energéticas na Ucrânia também afetou a capacidade de refino global, exacerbando a situação.

As refinarias, atualmente, estão processando cerca de 8,4 milhões de barris de petróleo bruto a menos por dia em comparação aos níveis anteriores ao início da guerra, resultando em uma produção de combustível 10% inferior. Segundo Natasha Kaneva, especialista em commodities do JPMorgan, o desafio não está apenas na disponibilidade de barris, mas sim em quão rapidamente o sistema de refino global pode processá-los.

O problema da oferta e a incerteza da demanda

O tráfego pelo Estreito de Ormuz ainda enfrenta desafios significativos. Os ataques no Oriente Médio e a instabilidade política resultaram em uma desaceleração na recuperação do tráfego de navios-tanque, essencial para a cadeia de suprimento de petróleo. Embora a produção na região esteja iniciando uma leve recuperação, o fluxo de petróleo ainda não voltou ao normal.

Recentemente, aproximadamente 200 milhões de barris de petróleo passaram pelo estreito, o que equivale a 17 dias de suprimento. Mesmo com esse fluxo, a demanda por petróleo caiu drasticamente devido à situação global. Muitas pessoas diminuíram seu consumo de petróleo, impactando os preços e a recuperação do mercado energético.

A China, por exemplo, retirou 3 milhões de barris por dia de capacidade de refino, priorizando a expansão de usinas a carvão e incentivando o uso de veículos elétricos. Isso limitou ainda mais a quantidade de gasolina e diesel disponíveis para exportação para outros países asiáticos, contribuindo para a escassez de combustível na região.

Antes que a capacidade de refino chinesa se restabeleça, há um consenso entre analistas de que a China exige garantias sobre o fluxo contínuo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

A complexidade do refino no Oriente Médio

A escalada das hostilidades no Golfo Pérsico torna a recuperação da capacidade de refino extremamente complicada. A região possui uma grande capacidade de 11,7 milhões de barris por dia, mas retorná-la à atividade é um desafio, especialmente se o combustível não tiver um destino livre de restrições.

Além disso, os ataques iranianos a refinarias durante a guerra resultaram em incertezas sobre as condições operacionais das instalações. Os Estados Unidos, por sua vez, se tornaram o maior exportador de gasolina e diesel, o que limitou a produção para o mercado interno. Essa transição trouxe dificuldade adicional, já que a produção das refinarias americanas foi desviada para atender à demanda externa, notadamente na Europa e na Ásia.

Nos últimos anos, a capacidade de refino nos Estados Unidos tem enfrentado desafios. Quatro refinarias foram fechadas na Califórnia devido a regulamentos ambientais e custos elevados. Com a última nova instalação significativa inaugurada em 1977, a situação aparenta ser crítica.

Implicações da produção russa

A situação se torna ainda mais complicada com as recentes decisões da Rússia, que é uma das principais exportadoras de óleo combustível e diesel no mundo. A interrupção da exportação de diesel pela Rússia, provocada por ataques de drones a refinarias, elevou os preços do combustível em várias regiões, criando uma escassez alarmante.

Os 800.000 barris/dia de diesel que a Rússia exportava antes dos conflitos representavam patamares significativos no mercado global, e sua ausência afetou diretamente o equilíbrio de oferta e demanda. Essa redução tem sido um dos fatores que elevou os preços nas últimas semanas.

As perspectivas sobre o futuro dos combustíveis indicam que os preços elevados de gasolina e diesel podem persistir, apesar do retorno gradual do petróleo. Os desafios não se limitam à geopolítica local, mas também refletem um quadro mais amplo, onde a interconexão entre diferentes mercados globais de energia se torna cada vez mais evidente.

Como adverte Natasha Kaneva, em meio à atenção no Estreito de Ormuz, fatores de distância significativa, como os acontecimentos na Rússia, desempenham um papel essencial na configuração do que acontecerá a seguir no mercado global de refino e, consequentemente, nas operações de abastecimento de combustível em todo o mundo.

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