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“Pai que empalhou 12 mil piranhas inova com computador caipira”

"Pai que empalhou 12 mil piranhas inova com computador caipira"

Na década de 1970, o padre italiano Giovanni Gallo assumiu a paróquia na Vila de Jenipapo, na Ilha do Marajó (PA). Sem recorrer a equipamentos eletrônicos convencionais, Gallo desenvolveu o chamado “computador caipira”, uma estrutura artesanal composta por painéis de madeira, barbantes e manivelas. Essa inovação fez parte de um movimento de valorização da cultura local e da educação.

Para financiar benfeitorias locais e a criação de um museu, o religioso ensinou moradoras a empalhar piranhas, exportando 12 mil exemplares para a Itália. O lucro obtido foi investido na construção do Museu do Marajó, que se tornou um símbolo da preservação cultural na região.

A fundação do museu ocorreu em 1981 em Santa Cruz do Arari e, posteriormente, foi transferida para Cachoeira do Arari. Desde sua inauguração, a instituição destacou-se por sua expografia interativa, uma proposta inovadora que cativa visitantes de todas as idades.

Integrante da Companhia de Jesus, Giovanni Gallo atuou no Pará até seu falecimento, em 2003 • Reprodução Museu do Marajó • Ilustração de Paulo de Carvalho

O Museu do Marajó e a Invenção do Computador Caipira

O computador caipira desenvolveu uma proposta educacional única. Ele permitia a interação direta com o acervo do museu. Ao puxar fios e girar peças de madeira, os visitantes podiam manipular a exposição para acessar informações sobre a cultura e a cerâmica marajoara. Essa abordagem visava transformar o público em um agente ativo no aprendizado, promovendo o conceito denominado pelo criador como “museu em primeira pessoa”.

Através desse método, o museu proporcionava uma experiência imersiva, onde o conhecimento se tornava acessível e dinâmico. A interação física com os objetos despertava um senso de curiosidade e valorização da cultura local.

Acervo e Contribuições Comunitárias

O acervo do Museu do Marajó foi formado majoritariamente por doações dos moradores da região. Isso garante uma conexão profunda entre a comunidade e a instituição. Com centenas de fragmentos e mais de 100 artefatos arqueológicos produzidos entre os séculos V e XIII, o museu oferece um leque diversificado de elementos que ilustram a rica história local.

Além de promover a preservação histórica, o museu também desempenhou um papel crucial em educar as novas gerações sobre a importância da cultura marajoara. Os moradores se sentiam motivados a contribuir com a conservação de sua própria história, fortalecendo a identidade cultural da região.

Legado de Giovanni Gallo e a Continuidade do Museu

Giovanni Gallo, integrante da Companhia de Jesus, atuou no Pará até seu falecimento em 2003. Sua paixão pela educação e pela preservação cultural deixou uma marca indelével na história do estado. O Museu do Marajó permanece como referência de museologia comunitária, combinando esforços de preservação do patrimônio arqueológico com a participação popular no interior da Amazônia.

A atualidade do museu é vista não apenas na manutenção de seu acervo, mas também nas iniciativas educativas e nas exposições interativas que atraem visitantes. O legado de Gallo se reflete na forma como o museu continua a educar e engajar as comunidades locais e os turistas.

Assim, o Museu do Marajó não é apenas um espaço para guardar objetos, mas um verdadeiro centro de aprendizado e integração comunitária, promovendo uma visão ativa sobre a história e as tradições marajoaras.