Recentemente, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) anunciou o acionamento do Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. Essa medida é essencial para preservar o equilíbrio do SIN (Sistema Interligado Nacional), evitando a sobrecarga da rede elétrica e o risco de desligamentos automáticos de equipamentos. A gestão eficaz da energia é crucial, especialmente em cenários onde a geração supera a demanda.
Importância da Gestão de Excedentes
O operador comunicou previamente às distribuidoras para que se preparassem para reduzir a geração de seus ativos. Isso se dá pela falta de controle direto do ONS sobre as fontes conectadas às distribuidoras. As usinas sob sua responsabilidade começaram a ter sua produção reduzida como uma forma de assegurar que a rede elétrica funcione de maneira segura e confiável.
Este é o segundo acionamento deste plano em 2023. O Plano de Gestão de Excedentes é implementado quando, mesmo após a redução na geração, a produção de energia ainda é excessiva nas redes. Essa situação se torna particularmente crítica em domingos e feriados, onde a demanda costuma ser menor, enquanto a geração solar distribuída continua em alta durante o dia.
Desafios da Geração Distribuída
Estudos recentes do ONS revelam que a rápida expansão da geração, especialmente da energia solar fotovoltaica, tem mudado o perfil de consumo no Brasil. A capacidade instalada de micro e minigeração já ultrapassa 43 GW, e em horários específicos, a produção pode gerar excedentes significativos em relação à demanda.
A implementação do plano, aprovado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2025, é um recurso para crises em que a geração centralizada não pode ser suficiente. Segundo o ONS, este recurso deve ser empregado como último recurso, após a exaustão de todas as alternativas operativas disponíveis.
Colaboração entre Operador e Distribuidoras
O manejo eficiente da geração distribuída é desafiador, pois essas unidades estão ligadas às redes das distribuidoras, as quais não podem ser controladas diretamente pelo ONS. Portanto, a execução do plano exige uma atuação conjunta entre o operador e as empresas de distribuição para garantir que o fornecimento de energia permaneça estável.
A ação do ONS ocorre em um momento em que as fontes renováveis estão se tornando predominantes na matriz energética brasileira. Apesar de a expansão das usinas solares e eólicas contribuir para a descarbonização do setor elétrico, ela também intensifica a necessidade de novas ferramentas de flexibilidade, armazenamento e gestão da demanda. O equilíbrio entre oferta e demanda continua a ser um desafio crítico para a operação do SIN.

