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MP reabre investigação de caso de senegalês morto por PM em SP

MP reabre investigação de caso de senegalês morto por PM em SP

A reabertura das investigações sobre a morte de Ngange Mbaye, ambulante senegalês, foi determinada pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, nesta segunda-feira (18). Esta decisão destaca a importância da revisão de casos submetidos a controvérsias, principalmente quando envolvem a atuação policial.

Circunstâncias do Caso

Ngange Mbaye, de 34 anos, foi morto a tiros por um policial militar em abril de 2025, no bairro do Brás, em São Paulo. O caso ganhou notoriedade e levantou questões sobre a legítima defesa, uma vez que o promotor de Justiça da época, Lucas de Mello Schaefer, havia arquivado as investigações, argumentando que o policial agiu em legítima defesa durante uma operação para apreensão de mercadorias irregulares.

No entanto, as testemunhas apresentaram uma narrativa diferente, afirmando que Mbaye foi atingido enquanto tentava proteger suas mercadorias da abordagem policial. Essa divergência factual alimentou o debate público sobre a conduta policial e a segurança de populações migrantes, especialmente em um contexto onde a violência policial contra minorias é frequentemente questionada.

Desdobramentos e Implicações

A reabertura do caso é um passo significativo em direção à accountability das ações da polícia. Além da análise do caso por outro promotor de Justiça, a possibilidade de uma denúncia contra o policial envolvido é um importante avanço na busca por justiça para a família de Mbaye e para a comunidade senegalesa em São Paulo.

Após o ocorrido, Mbaye foi socorrido e levado ao Hospital da Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu aos ferimentos. A arma do policial e a barra de ferro que Mbaye teria utilizado foram apreendidas, mas a controvérsia sobre o uso excessivo da força permanece. Entidades do movimento negro e grupos de direitos humanos levantaram preocupações sobre o tratamento de minorias e imigrantes, especialmente em contextos de abordagem policial.

Reações e Denúncias Internacionais

Três dias após a morte de Mbaye, o policial militar foi afastado de suas atividades operacionais, mas a insatisfação pública se intensificou. Grupos de defesa dos direitos humanos, como a Uneafro Brasil e o Movimento Negro Unificado (MNU), levaram o caso à Organização dos Estados Americanos (OEA), responsabilizando autoridades estaduais pela letalidade policial.

As denúncias enfatizam a necessidade urgente de estratégias que abordem o racismo, a xenofobia e a precarização enfrentados diariamente por migrantes. A nota de pesar do CDHIC (Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante) também reforçou o clamor por justiça e solidariedade. Com essa reabertura das investigações, espera-se que se inicie um processo mais transparente e que promova a confiança da população nas instituições.

O acompanhamento deste caso poderá representar um precedente importantíssimo na discussão sobre a condução da polícia em situações de confronto com civis, especialmente em comunidades vulneráveis. O impacto da morte de Ngange Mbaye não se limita apenas ao caso em si, mas reflete uma questão social mais ampla que exige atenção e respostas eficazes do Estado.

O futuro da investigação e suas repercussões na política de segurança pública em São Paulo devem ser acompanhados de perto, com a expectativa de que medidas cabíveis sejam tomadas para evitar que tragédias semelhantes se repitam. A luta por justiça, igualdade e respeito à vida de todos os cidadãos deve ser a prioridade em qualquer sociedade que se preze.