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Meteoric prevê investir US$ 498 milhões em terras raras em MG

Meteoric prevê investir US$ 498 milhões em terras raras em MG

Australiana Meteoric Resources anuncia investimento de US$ 498,4 milhões no projeto de terras raras Caldeira. Este investimento é parte do estudo definitivo de viabilidade (DFS) divulgado recentemente pela empresa.

O projeto em Minas Gerais visa produzir, em média, 12,5 mil toneladas de óxidos de terras raras anualmente durante 24 anos. Destes, cerca de 3,9 mil toneladas serão de neodímio e praseodímio (NdPr), essenciais para a produção de ímãs permanentes utilizados em várias aplicações, incluindo veículos elétricos e turbinas eólicas.

A produção também incluirá 127 toneladas de disprósio e térbio, que são agregados a ímãs para melhorar seu desempenho em altas temperaturas. Assim, esses elementos se tornam cruciais em setores aeroespacial e de defesa, além de sua presença em equipamentos eletrônicos.

Carbonato Misto de Terras Raras

Inicialmente, o produto que será comercializado é um carbonato misto de terras raras, denominado MREC. Esse material precisará passar por processos adicionais de separação e refino antes de ser convertido em metais e ligas apropriados para aplicações mais específicas. Embora a Meteoric esteja considerando a instalação dessas etapas adicionais no Brasil, o projeto básico não inclui essa separação individual dos componentes.

Com uma perspectiva otimista, a Meteoric calcula que o valor presente líquido do projeto será de US$ 847 milhões após impostos, com uma taxa interna de retorno estimada em 24%. O retorno sobre o investimento deve ocorrer em um período de quatro anos. Durante sua vida útil, o projeto poderá gerar aproximadamente US$ 9,44 bilhões em receita, com um Ebitda estimado de US$ 5,05 bilhões.

Um cenário alternativo, baseado em previsões de preço mais favoráveis das terras raras, sugere que o valor presente líquido subiria para US$ 2,72 bilhões, com uma taxa de retorno de 47% e recuperação do investimento em dois anos. Este cenário, no entanto, depende de uma recuperação significativa nos preços internacionais das terras raras.

Aumento de Investimento e Custos

O investimento de US$ 498,4 milhões representa uma elevação de 12,5% em relação aos US$ 443 milhões calculados em um estudo preliminar. A revisão leva em conta o aumento de custos e a variação cambial desde a última avaliação, além de incluir a aquisição de equipamentos para o processamento do minério extraído.

Deste total, US$ 45,3 milhões estão reservados para contingências. A maior parte do investimento será alocada na planta de processamento, com custos diretos estimados em US$ 383,5 milhões e custos indiretos de US$ 106,8 milhões.

A mina situada em Capão do Mel terá um plano de lavra com uma reserva provável de 151 milhões de toneladas, com início da produção utilizando minério de maior teor. Nos dois primeiros anos, a mineradora processará minério que apresenta teores acima de 5.000 partes por milhão, o que garante um aumento significativo na produção e na geração de caixa nos anos iniciais.

Processo Sustentável

A planta de processamento está projetada para processar até 6 milhões de toneladas de minério anualmente, podendo aumentar sua capacidade em cerca de 20% no sétimo ano de operações. O processo utilizará sulfato de amônio em temperatura e pressão ambientes, visando uma recuperação média de 54% dos óxidos totais. Para os óxidos magnéticos, prevê-se uma recuperação ainda maior, de 71% ao longo da vida útil.

De modo sustentável, cerca de 85% da água e 90% do sulfato de amônio utilizados serão reutilizados no processamento. Não será necessária a construção de uma barragem convencional de rejeitos, dado que a argila processada será empilhada a seco e, geralmente, devolvida às áreas já mineradas.

A Meteoric está atualmente em fase de negociação com empresas dos setores de terras raras na Coreia do Sul, Europa e Estados Unidos. A empresa assinou memorandos de entendimento com a Posco International, a Neo Performance Materials e a Ucore Rare Metals, com o intuito de futuramente firmar contratos de venda e processamento. Entretanto, esses acordos ainda não são vinculativos e as partes continuam em negociações.

A expectativa é que a construção da planta gere cerca de 1.200 empregos temporários, enquanto a operação deverá manter aproximadamente 500 empregos permanentes. A Meteoric está se preparando para obter a Licença de Instalação no quarto trimestre de 2026 e, após a decisão final de investimento, estimam um período de dois anos para concluir a construção do projeto.

Todo o consumo elétrico da operação estará atrelado a fontes renováveis, e a água necessária será transportada de uma barragem localizada a poucos metros da planta. O produto final, o carbonato misto, será transportado para o Porto de Santos, a cerca de 254 quilômetros do empreendimento, para posterior envio aos compradores, consolidando a posição da Meteoric no crescente mercado global de terras raras e a sua importância para a transição energética.