A Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) está em defesa do mel orgânico brasileiro e buscou, em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a exclusão deste produto da lista que pode ser onerada com uma sobretaxa a partir de 15 de julho.
O representante da Abemel, João Marcello, destacou que o Brasil tem um papel estratégico no abastecimento do mercado americano, apresentando características únicas que tornam difícil a sua substituição por outros fornecedores. O evento contou com a presença de importadores de mel orgânico dos Estados Unidos e de um dos principais envasadores do produto no país, que enfatizaram os potenciais danos econômicos de uma tarifa ao mercado americano.
De acordo com os participantes da audiência, cada dólar investido na importação de mel orgânico gera cerca de US$ 5,50 em atividade econômica nos Estados Unidos, facilitando o abastecimento de indústrias que utilizam o mel na produção de itens como barras de cereais, granolas e iogurtes. O fortalecimento da parceria entre exportadores brasileiros e empresas locais foi um ponto crucial na defesa do setor diante do comitê da Seção 301, que faz a análise da proposta tarifária.
Impacto Econômico do Mel Orgânico no Mercado Americano
A Abemel afirma que cumpriu todas as etapas do processo de defesa, apresentando dados técnicos relevantes e obtendo apoio de empresas americanas que defendem a continuidade das importações. Estima-se que o mercado dos Estados Unidos consuma cerca de 90 milhões de libras (aproximadamente 40 mil toneladas) de mel orgânico anualmente, com o Brasil correspondendo a cerca de 75% desse volume. Esse destaque deve-se a condições naturais e práticas produtivas que tornam o Brasil um dos principais fornecedores que atendem às rigorosas exigências da certificação orgânica em larga escala.
Entre os diferenciais mencionados, está a criação da abelha africanizada, que resulta do cruzamento entre espécies europeias e africanas. Essa variedade demonstra uma resistência elevada a doenças, eliminando a necessidade de antibióticos no manejo, algo crucial para a produção orgânica, pois a certificação proíbe tal uso devido ao risco de contaminação nos produtos finais.
Certificação Orgânica e Sustentabilidade
Outro argumento forte apresentado ao USTR é a vasta disponibilidade de áreas preservadas nos biomas brasileiros, como a Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. Essas regiões são ideais para a instalação de apiários, uma vez que cumprem os critérios internacionais de produção orgânica, que exigem uma distância mínima de 3,5 quilômetros de potenciais fontes de contaminação, como áreas urbanas e lavouras convencionais. Essas condições fazem do Brasil um fornecedor de mel difícil de substituir, especialmente considerando a demanda do mercado americano.
João Marcello reforçou que essas características exclusivas da produção melífera brasileira não são facilmente replicáveis em outras partes do mundo. Ele observou que, embora a audiência tenha sido positiva, evita fazer previsões sobre o resultado final, pois a decisão dependerá da análise do comitê da Seção 301 e das demais agências envolvidas. O USTR deve anunciar em 15 de julho quais produtos continuarão sujeitos à sobretaxa e quais poderão ser isentos da medida.
O Futuro do Mel Orgânico Brasileiro
A Abemel tem se empenhado em apresentar um panorama claro sobre os impactos da imunidade do mel orgânico à sobretaxa. Com dados e argumentos robustos, a associação tenta sensibilizar autoridades sobre a relevância desse setor para não apenas a economia brasileira, mas também para a economia americana, que se beneficia diretamente da importação de mel orgânico.
Esta defesa vem em um momento crucial onde a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos pode ser ameaçada por tarifas que poderiam criar barreiras comerciais e reduzir a competição saudável no mercado de alimentos. A audição foi apenas um passo no caminho para garantir que a produção de mel brasileiro continue sendo valorizada e acessível.
