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Margem de lucro da Porsche cai para 1,1%: nova estratégia revelada

A Porsche chegou à sua assembleia geral anual com a missão de mostrar aos investidores que uma recuperação é viável e que a paciência é necessária nesse processo. O novo CEO, Michael Leiters, que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2026, apresentou as diretrizes da Estratégia 2035, um plano de reestruturação elaborado para reverter a queda nas margens de lucro, que caiu para 1,1% no último ano.

A expectativa da empresa é alcançar uma margem operacional entre 5,5% e 7,5% para o ano fiscal de 2026, considerando despesas extraordinárias de 800 a 900 milhões de euros e custos tarifários na faixa de 700 milhões de euros. A receita projetada está entre 35 e 36 bilhões de euros.

Visão futura: recuperação gradual

Leiters foi claro ao afirmar que os acionistas não devem esperar um retorno imediato às margens que a Porsche já conheceu. “A melhoria significativa em nosso desempenho financeiro virá principalmente com nossos produtos futuros. Esse é o principal instrumento, e isso leva tempo,” afirmou ele.

A Estratégia 2035 é baseada em pilares. O primeiro foca no fortalecimento da marca e posiciona a Porsche como uma marca que prioriza o desejo e não o crescimento rápido de vendas. Leiters deixou claro: “Não se trata de maximizar o volume de vendas. Trata-se de valor, desejabilidade e lucratividade. A força da Porsche não vem da quantidade de vendas, mas da decisão consciente dos clientes em adquirir um Porsche.”

Redução de variantes e foco na qualidade

O segundo pilar da estratégia aborda os produtos. Leiters destaca a necessidade de simplificar o portfólio da empresa, que se tornou muito complexo. Como primeiro passo, a Porsche já descontinuou as versões de carroceria station wagon do elétrico Taycan nos Estados Unidos. O CEO sinalizou que essa simplificação é apenas o começo e que a empresa reduzirá ainda mais as variantes oferecidas.

Quanto aos tipos de motorização, a Porsche manterá suas três opções: combustão, híbrida e elétrica. No entanto, o sistema híbrido não deve ser visto apenas como uma tecnologia temporária. “Para o 911, o powertrain híbrido de alta performance desenvolvido especificamente para o modelo é essencial. Não haverá um 911 totalmente elétrico,” assegurou Leiters.

No que diz respeito à eletrificação, o foco principal é no Cayenne Electric, que Leiters acredita ter um papel fundamental para a Porsche na era elétrica. “Estou convicto de que o Cayenne Electric pode ajudar a consolidar um legado verdadeiro em veículos elétricos,” concluiu.

Cortes e reestruturação necessária

O terceiro pilar da estratégia aborda a própria estrutura da empresa. Leiters confirmou que a Porsche pretende aumentar o compartilhamento de plataformas com o Grupo Volkswagen e buscar maior eficiência operacional. Ele destacou que a experiência com o Cayenne e o Macan já provou que a Porsche pode implementar essa mudança com sucesso.

No entanto, o CEO admitiu que os cortes previamente anunciados não serão suficientes. Há conversas em andamento relacionadas à possível redução do quadro de funcionários, algo que tem o apoio da management. “Concordamos que há necessidade de ação e onde ela é necessária. Temos uma equipe motivada e talentosa, mas para garantir nossa competitividade, o enxugamento planejado até agora não será o bastante,” ressaltou.

O presidente do Conselho de Supervisão, Dr. Wolfgang Porsche, também saiu em defesa das novas diretrizes e reforçou que as medidas podem ser desconfortáveis, mas são necessárias para devolver a empresa ao caminho do sucesso.

Para o exercício de 2025, o conselho sugeriu um dividendo de 1,01 euro por ação preferencial e 1,00 euro por ação ordinária, que está acima da meta de distribuição de 50% do lucro líquido, mas é inferior ao pago no ano anterior.

A estratégia completa será apresentada em detalhes no Capital Markets Day, marcado para 7 de outubro. Leiters promete que o evento esclarecerá os rumos e planos futuros da Porsche.