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Irã promete resposta “devastadora” à guerra econômica dos EUA

O Irã reafirmou, nesta sexta-feira (21), que sua reação a novas ameaças dos EUA seria “devastadora”. A afirmação surge após Washington prometer sanções financeiras rigorosas, com o intuito de desestabilizar a liderança iraniana.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que revelará detalhes sobre as medidas econômicas contra Teerã na próxima segunda-feira (24). O presidente Donald Trump já tinha alertado sobre penalidades severas para qualquer nação que oferecesse “apoio financeiro ao Irã”.

Ali Abdollahi, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, enfatizou que a reação do país seria ampla e decisiva. “Com prontidão em terra, mar, ar, defesa aérea e ciberespaço, as Forças Armadas do Irã responderão às novas ameaças do inimigo com respostas esmagadoras, punitivas e devastadoras”, disse Abdollahi, de acordo com a mídia iraniana.

Efeitos das Sanções no Irã

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que também atua como principal negociador nas conversas com os EUA, observou que Washington parece ter percebido que não conseguiria vencer em um confronto militar direto. Ele pediu a elaboração de estratégias para superar as sanções injustas, acusando os EUA e Israel de adotarem uma abordagem de guerra econômica e “cognitiva”.

A sanção mais recente tem causado grande preocupação em teias de comércio e energia, especialmente no que diz respeito ao preço do petróleo. Recentemente, os preços do petróleo recuaram um pouco na sexta-feira, mas estavam a caminho da segunda alta semanal consecutiva, em resposta à ameaça de novas sanções dos EUA.

Bessent, em uma entrevista à CNBC, afirmou: “Não vejo a conexão do petróleo nesta discussão. Se estivermos aplicando a máxima pressão econômica, isso implica que não haverá uma escalada militar significativa”.

O Impacto no Transporte Marítimo

A situação no Golfo sempre foi tensa, especialmente no Estreito de Ormuz, que até fevereiro via o tráfego de cerca de 20% do petróleo mundial. Desde o início do conflito, há relatos de que ataques a navios tornaram-se mais frequentes, complicando ainda mais o cenário.

Apenas sete embarcações mercantes transitaram pelo Estreito de Ormuz na última quinta-feira (20), representando metade do total do dia anterior, conforme dados da empresa de rastreamento Kpler. Antes desses eventos, mais de 130 navios por dia faziam parte desse fluxo, o que está longe da atual realidade.

As Perspectivas Futuras

Os Estados Unidos e o Irã tentaram estabelecer acordos de cessar-fogo duas vezes, em abril e junho, na tentativa de restaurar o trânsito pelo Estreito de Ormuz e abordar maneiras de encerrar o conflito que já se arrasta por quase seis meses. Contudo, ambos os acordos falharam rapidamente.

Bessent prometeu abordar a ação dos EUA contra o Irã mais detalhadamente em uma coletiva de imprensa na segunda-feira. Ele reiterou: “Vamos derrubar este regime. É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão”. O responsável descreveu as novas sanções como um “golpe duplo” e destacou a implementação de um bloqueio naval reimposto ao Irã desde julho.

O cenário atual do Irã é marcado pela resistência a sanções que perduram por quase cinco décadas, desde a Revolução Islâmica de 1979. Este contexto resultou em altas taxas de inflação, desvalorização da moeda e escassez de recursos energéticos, além de uma infraestrutura debilitada.

Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?