Em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, a nova estratégia do Irã busca uma escalada que pode levar a um isolamento internacional acentuado. Essa abordagem, que inclui ataques a infraestruturas civis em países aliados dos EUA, pode gerar consequências drásticas para a economia da região. A análise é de Américo Martins, ao Agora CNN.
O especialista observa que o regime iraniano ampliou seus alvos, atacando não apenas bases militares americanas e o território israelense, mas também pontos estratégicos como o aeroporto de Dubai, um dos maiores centros de conexão aérea do mundo.
Impactos na aviação e no petróleo
Um dos setores mais vulneráveis à escalada do conflito é o da aviação civil. “Milhares de voos estão sendo cancelados, uma vez que Dubai, Abu Dhabi e Doha são grandes hubs que conectam voos entre a Europa, Ásia, Oceania e parte da África”, explicou Martins. Esse impacto atinge não apenas os voos com origem ou destino no Oriente Médio, mas também conexões essenciais que podem afetar milhões de passageiros globalmente.
Outra área sob ameaça é a de petróleo. Relatos indicam ataques a petroleiros nas costas de Omã, além da preocupação de que o Irã busque restringir o acesso ao Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de petróleo. Essa manobra pode ser vista como uma estratégia de retaliação, com o potencial de provocar perturbações significativas no mercado de energia mundial.
Isolamento diplomático crescente do Irã
O Irã, que já lida com sanções dos Estados Unidos e Europa, corre o risco de perder o apoio diplomático de países do Golfo que ainda mantêm relações com o regime. Exemplos incluem Omã e Catar, que, após sofrerem ataques, podem se distanciar diplomaticamente do Irã. Esses países têm interesse em evitar que o conflito se expanda e não demonstrarão paciência para novas hostilidades.
Martins acredita que o objetivo do Irã é provocar uma reação de seus vizinhos, ampliando o conflito regional para incluir mais nações, não se limitando a um embate entre Estados Unidos, Israel e o Irã. Enquanto o Irã busca espalhar a instabilidade por meio de milícias que apoiou ao longo dos anos, países como Omã e Catar mantêm uma postura contenível, utilizando suas defesas para proteger-se contra ataques e contando com o suporte das bases militares americanas.
A estratégia hesitante desses países visa evitar um envolvimento mais profundo no conflito, que é, sem dúvida, o que o Irã procura. Ao transformar a escalada em uma questão de defesa, Omã e Catar tentam conter a agressão e evitar uma maior desestabilização da região.
Países aliados dos EUA no Oriente Médio reagem a ataques do Irã