O CEO do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, afirmou que a empresa se adaptará a quaisquer mudanças legais relacionadas à escala de trabalho 6×1, tema atualmente em discussão no Congresso Nacional. Durante entrevista ao programa Hot Market, da CNN Brasil, Gomes comentou sobre como as possíveis mudanças afetariam especificamente o Assaí, que conta com aproximadamente 90 mil funcionários. Gomes esclareceu que o modelo de atacarejo utiliza menos mão de obra em comparação ao varejo tradicional.
“Nós somos uma operação de baixo custo, então, no caso de uma eventual mudança, obviamente, a gente vai se ajustar como o restante do mercado”, garantiu.
O CEO do Assaí também destacou que muitas transformações ocorreram nas relações de trabalho ao longo das décadas. “Você tinha aquele orgulho da carteira assinada e hoje, se você acompanha a rede social, você percebe que o CLT acabou virando um motivo até muitas vezes de chacota”, observou, referindo-se às mudanças na percepção sobre o regime tradicional de trabalho.
Flexibilidade nas relações trabalhistas
O executivo defendeu a necessidade de maior flexibilidade nas relações trabalhistas, comparando o modelo atual com as novas formas de trabalho que surgiram com os aplicativos. “Na hora que você oferece flexibilidade, ela é muito importante para a população”, afirmou Gomes, acrescentando que o atual modelo de CLT representa um custo elevado para as empresas enquanto oferece pouco retorno para os trabalhadores.
Segundo Gomes, o setor varejista enfrenta desafios específicos com o modelo atual, já que a demanda por funcionários varia conforme o dia da semana e o período do mês. “Você não tem numa segunda e terça-feira o mesmo nível de movimento que tem no sábado. A gente não tem no meio de mês o mesmo nível de movimento que nós temos no início de mês”, explicou.
Discussão ampla sobre a CLT
O CEO também sugeriu que a discussão sobre a escala de trabalho deveria ser precedida de um debate mais amplo sobre o próprio modelo da CLT, considerando o surgimento de novas relações de trabalho. Ele citou o crescimento dos MEIs (Microempreendedores Individuais) como evidência da busca por alternativas ao modelo tradicional de emprego.
“Acredito que esse é o primeiro passo. A questão da escala, ela deve ser precedente de uma discussão maior que é o próprio modelo em si da CLT na medida que novas relações de trabalho surgiram”, concluiu Gomes, defendendo também a possibilidade de pagamento por hora trabalhada, sistema comum em outros países.
Novo salário mínimo de R$ 1.621 entra em vigor; entenda mudanças