Recentemente, Ivanka Trump divulgou um projeto imobiliário ambicioso — uma incrível ilha privada no Mediterrâneo e um litoral albanês destinado a resorts e hotéis. Durante uma entrevista para um podcast, ela detalhou seu empreendimento que promete transformar a área, mas isso não vem sem controvérsia.
O projeto, que conta com o apoio de Jared Kushner, inclui uma construção em uma zona natural protegida. Grupos ambientalistas expressam preocupações sobre os danos que a obra já está causando à fauna local, que Ivanka elogiou em sua entrevista.
Muíltiplas manifaestações na capital Tirana demonstram a oposição ao desenvolvimento. Protestantes carregavam recortes de flamingos de papelão, simbolizando o risco que o projeto representa a essas aves ameaçadas. A Albânia, um país com uma das menores rendas per capita da Europa, tem visto o debate sobre investimentos de luxo esquentar, particularmente quando se trata de áreas naturais.
Impactos do projeto de Ivanka Trump
O diretor europeu da BirdLife, Ariel Brunner, relatou que a equipe da organização visitou a área e encontrou escavadeiras e caminhões trabalhando em locais onde não havia sinalização nenhuma, o que levanta sérias preocupações sobre a legalidade do projeto. Brunner expressou dúvida sobre a falta de autorizações, ressaltando a fragilidade do ecossistema local.
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, afirmou que as obras ainda estão em avaliação e não começaram oficialmente. Em contradição a isso, as obras parecem estar em pleno andamento, levantando questões sobre a transparência governamental no que diz respeito ao investimento estrangeiro.
Detalhes do empreendimento
A Ilha de Sazan, um dos locais do projeto, teve sua antiga base militar da era comunista convertida em um ponto turístico. Ivanka descreveu o espaço como um lugar mágica que ela descobriu durante um passeio de barco. Pishë Poro-Narta, o segundo local do projeto, é uma praia ainda intocada que abriga biodiversidade rica e espécies ameaçadas.
A CNN recebeu informações do fundo de investimento de Kushner, o que levou a uma apresentação de suas ambições de criar um destino de turismo sustentável. Asher Abehsera, presidente da Sazan Real Estate Development LLC, falou sobre o alinhamento com práticas responsáveis, mas a recepção pública tem demonstrado desconfiança sobre as reais intenções do projeto.
Reações e investigações
A aprovação de uma alteração nas leis ambientais, que permite a construção em áreas protegidas, intensificou a crítica, levando à suspeita de que o governo albanês está favorecendo interesses privados em detrimento da conservação ambiental. Grupos locais de proteção ao meio ambiente argumentam que a mudança na legislação reflete uma urgência em acelerar projetos sem a devida consideração pelas diretrizes da União Europeia.
O órgão anticorrupção da Albânia, SPAK, agora investiga o projeto, indicando que a situação é complexa e envolve possíveis conflitos de interesse. Além disso, os críticos questionam como a implementação do projeto está sendo conduzida sob a avaliação ambiental e as implicações para a flora e fauna locais.
Os protestos em Tirana, onde manifestantes clamam que “A Albânia não está à venda”, refletem uma resistência crescente da população em aceitar projetos que não levam em conta a preservação do meio ambiente. Ambientalistas têm clamado por mais transparência e proteção para áreas um tanto vulneráveis ao desenvolvimento.
A organização BirdLife reiterou que não é contra o desenvolvimento, mas que existem locais mais adequados para essas iniciativas que não comprometam habitats críticos. As vozes contra o projeto não só incluem Ambientalistas, mas também cidadãos comuns que entendem a importância dessas áreas para o equilíbrio ecológico da região.
Ivanka, em sua defesa ao projeto, falou sobre a escala e o potencial de criar uma comunidade sustentável. Contudo, a resistência popular e as investigações legais permanecem como grandes obstáculos para a concretização desse sonho aristocrático.
*Com informações de Vasco Cotovio, Isa Soares e Olivia Briand, da CNN

