A recente Operação Fluxo Oculto, deflagrada pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), em colaboração com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e a Receita Federal, trouxe à tona a atuação de novas fintechs associadas ao PCC. Essa operação sublinha a importância de abordar a interseção entre tecnologia financeira e crimes organizados, revelando as complexidades na arquitetura financeira do crime.
Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal, ressaltou que a proliferação de fake news sobre o sistema de pagamento Pix teve um impacto crucial na tentativa de preservar lacunas regulatórias. Durante uma coletiva de imprensa, ele esclareceu que a Receita Federal enfrentou uma considerável resistência ao tentar fiar um ambiente mais seguro contra organizações criminosas. “Nós fomos vítimas da maior onda de fake news da história da Receita”, afirmou Barreirinhas, destacando como essas informações distorcidas serviam para proteger o funcionamento das fintechs ligadas ao crime.
A Operação e seus Resultados
A Operação Fluxo Oculto, parte de uma inovadora abordagem do Estado para combater o crime organizado, cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em várias cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Este esforço visa desmantelar estruturas de lavagem de dinheiro que envolvem fintechs disfarçadas como instituições legítimas.
De acordo com os dados coletados, as seis fintechs investigadas movimentaram aproximadamente R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, com uma delas realizando transações na ordem de R$ 1 bilhão em espécie. Barreirinhas mencionou que durante a operação foram encontrados mais de R$ 1 milhão também em espécie, o que evidenciou a fragilidade na regulação dessas instituições.
Desvendando a Arquitetura Financeira do Crime
A operação revelou um intrincado sistema de lavagem de dinheiro que utilizava “contas-bolsões” e cadeias de fundos de investimento, dificultando a identificação dos beneficiários finais. Essa estrutura complexa levou as autoridades a intensificarem os esforços para regular as atividades das fintechs, promovendo uma maior transparência e combate ao crime organizado.
Barreirinhas enfatizou a importância de suas investigações como uma parte essencial da luta contra organizações criminosas. Ele também mencionou operações passadas que serviram como referência, como Carbono Oculto e Spare. Esses esforços colaborativos implementaram um modelo inovador que combina informações e estratégias de múltiplas agências para desbaratar atividades ilegais.
Avanços na Regulação e no Combate ao Crime
Como resultado das investigações, o Estado avançou em várias frentes regulatórias, incluindo a implementação de exigências mais rigorosas para fundos de investimento. Agora, esses fundos devem fornecer informações sobre os beneficiários finais à Receita Federal, ajudando a esclarecer as cadeias financeiras envolvidas em atividades ilícitas. Além disso, o alinhamento das declarações de criptoativos com normas internacionais permitirá uma troca mais eficiente de informações entre países.
Barreirinhas concluiu que toda essa base de inteligência está à disposição de um esforço cooperativo e interinstitucional para desmantelar as organizações criminosas no Brasil. As mudanças regulatórias não apenas dificultam a operação dessas fintechs associadas ao crime, mas também promovem um ambiente financeiro mais seguro e transparente para todos os cidadãos.

