O governo dos Estados Unidos sinalizou a possibilidade de financiar em até US$ 750 milhões, cerca de R$ 3,8 bilhões, uma nova cadeia de processamento de terras raras da Aclara Resources, mineradora que desenvolve no Brasil o Projeto Carina, em Goiás. Este financiamento pode ter um grande impacto na indústria de terras raras, essencial para tecnologias avançadas.
O financiamento potencial, indicado pelo Export-Import Bank dos Estados Unidos (Exim Bank), é destinado ao Projeto Dynamo, uma planta que a Aclara pretende construir no estado da Louisiana para separar terras raras e produzir metais e ligas utilizados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs permanentes. As informações foram divulgadas pela mineradora nesta sexta-feira (4).
A operação cria um elo direto com os projetos de mineração da companhia na América do Sul. A estratégia da Aclara prevê que o material extraído e beneficiado em seus depósitos sul-americanos seja enviado aos Estados Unidos na forma de um carbonato misto de terras raras de alta pureza. Na Louisiana, esse produto será separado em óxidos individuais, oferecendo uma cadeia de suprimento mais eficiente.
Desenvolvimento de terras raras
O principal ativo mineral da companhia é atualmente o Projeto Carina, em Goiás. A Aclara também desenvolve o projeto Penco, no Chile, e afirma que os dois ativos fazem parte da estratégia de fornecer terras raras pesadas para a cadeia integrada que pretende montar. Essa abordagem permitirá à Aclara se consolidar como um player importante nesse setor, atendendo à crescente demanda global por esses materiais.
Na prática, a mineração e uma primeira etapa de processamento ocorreriam na América do Sul, enquanto etapas de maior agregação de valor da cadeia seriam realizadas nos Estados Unidos. Isso não somente agregará valor ao produto final, mas também fortalecerá a economia local através da criação de empregos e desenvolvimento tecnológico.
Financiamento ainda não está aprovado
O documento emitido pelo Exim Bank é uma carta de interesse, e não um compromisso definitivo de financiamento. Segundo a Aclara, o banco informou que poderia financiar até US$ 750 milhões dos custos do projeto, com prazo de pagamento de até 15 anos, por meio da iniciativa Make More in America, programa utilizado pelo Exim para apoiar investimentos industriais e cadeias produtivas dentro dos Estados Unidos.
A concessão dos recursos ainda depende de etapas como análise do projeto, due diligence, avaliação de crédito, aprovação interna e documentação. A própria empresa ressalta que não há garantia de que o financiamento seja aprovado ou concluído, o que requer transparência e planejamento cuidadoso por parte da Aclara.
Do Brasil aos ímãs
A planta projetada para a Louisiana deverá separar o carbonato de terras raras em produtos como neodímio-praseodímio (NdPr), disprósio, térbio, samário, gadolínio e ítrio. O neodímio e o disprósio, em particular, são cruciais para a indústria de ímãs permanentes, o que mostra a relevância dessa iniciativa.
Além da separação dos óxidos, o projeto prevê a produção de metais e ligas, avançando mais uma etapa na cadeia necessária para fabricar ímãs permanentes de alto desempenho. Esses materiais são utilizados em segmentos como veículos elétricos, robótica, geração de energia e outras tecnologias avançadas. A demanda por ímãs cada vez mais potentes só tende a crescer com o avanço tecnológico.
A companhia testa atualmente sua tecnologia de separação em uma instalação da Virginia Tech, nos Estados Unidos, e desenvolve no Chile uma etapa de conversão dos óxidos em metais e ligas. A engenharia básica da planta comercial da Louisiana e as principais etapas de licenciamento estão em fase final, e a expectativa da Aclara é deixar o empreendimento pronto para iniciar a construção até o fim de 2026.
A estratégia é construir uma cadeia verticalmente integrada, saindo da produção mineral na América do Sul até metais e ligas nos Estados Unidos. A empresa afirma que pretende atender principalmente à indústria de ímãs permanentes e setores considerados estratégicos pelos EUA. Essa abordagem pode transformar a dinâmica do mercado de terras raras, garantindo que o suprimento esteja alinhado com as necessidades industriais.

