Em entrevista ao WW, o professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) Eduardo Migon analisou as opções militares disponíveis ao presidente americano, Donald Trump, no conflito com o Irã, destacando que uma eventual escalada significaria ampliar a guerra aeronaval e intensificar a destruição da infraestrutura iraniana.
Segundo o especialista, o conflito já acumula cerca de 150 dias e há uma janela de oportunidade de duas a quatro semanas para decisões estratégicas.
Limitações das forças americanas
Migon apontou três grandes vetores de força envolvidos no conflito. A Marinha americana, apesar de ter destruído a marinha iraniana, já opera há aproximadamente 200 dias no mar, com porta-aviões acumulando recordes de tempo em operação.
“Isso gera desgaste, falha operacional, necessidade de aporte”, afirmou. Ele ressaltou que, embora haja grande liberdade naval, as possibilidades concretas de uso dessa força são limitadas.
No campo aéreo, a Força Aérea americana conta com uma defesa antiaérea que Migon classificou como “fantástica”, capaz de interceptar mísseis. No entanto, o arsenal já estaria reduzido a entre 30% e 40% dos estoques normais de munição.
Quanto às forças terrestres, o especialista apontou que os 50 mil efetivos presentes na região seriam insuficientes para uma ação militar de maior envergadura, que exigiria o dobro ou o triplo desse contingente.
Escalada limitada ao campo aeronaval
“Eu acredito que escalar é amplificar a guerra aeronaval, amplificar a destruição de infraestrutura, mas ele não vai além disso no sentido de uma tropa terrestre no terreno”, declarou Migon.
O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna acrescentou que uma pesquisa da CNN indica que 73% dos americanos consideram que Trump não prioriza os problemas reais da população. O dado foi apresentado como reflexo de um cenário político desfavorável, em um país dividido quase igualmente entre republicanos e democratas.
Na avaliação do analista, a melhor saída eleitoral para Trump seria estabilizar o Estreito de Ormuz para retomada da navegação, mas sem que isso represente uma derrota estratégica muito visível.
Iniciativa estratégica do Irã
Lourival Sant’Anna destacou que o Irã, especialmente por meio de sua Guarda Revolucionária, passou a buscar a iniciativa estratégica, atacando antes dos Estados Unidos — não em retaliação, mas com o objetivo de garantir dominância sobre o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico no médio prazo.
Segundo ele, o Irã eleva o custo do conflito conforme percebe os dilemas americanos, visando evitar novos ataques de Estados Unidos, Israel ou qualquer outro país. Diante desse quadro, Trump estaria buscando subterfúgios político-eleitorais para tentar conter uma derrota ainda maior nas eleições de meio-mandato.