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El Niño reduz, em média, 1,7% da produção global de cacau.

El Niño reduz, em média, 1,7% da produção global de cacau.

Impactos do El Niño na produção de cacau são temas cada vez mais discutidos no setor agrícola, especialmente devido à influência das condições climáticas nos principais países produtores. Em 2025/26, a produção global de cacau deve enfrentar desafios, conforme novos estudos indicam. Para enfrentar esses desafios, é crucial que as partes interessadas estejam atentas às mudanças no clima e ao fenómeno El Niño.

Efeitos do El Niño na produção de cacau

Episódios de El Niño tendem a reduzir, em média, a produção global de cacau em 1,7%, o que o torna um fator de risco significativo para a oferta mundial. Essa realidade é refletida em recentes previsões da consultoria StoneX. O fenômeno impacta diretamente as colheitas, especialmente nas regiões do Oeste Africano, onde a produção é crucial para o abastecimento global.

Além disso, a melhora da produção na Costa do Marfim levou a StoneX a revisar estimativas de superávit global. Para a safra 2025/26, a consultoria elevou a previsão de superávit de 247 mil para 422 mil toneladas, refletindo a maior disponibilidade de cacau. Essa mudança foi impulsionada por dados atualizados que evidenciam uma produção melhor do que a inicialmente estimada.

Desafios futuros para 2026/27

Embora a produção na Costa do Marfim tenha apresentado melhorias, a StoneX reduziu significativamente a projeção do excedente da safra 2026/27, prevendo um superávit de apenas 25 mil toneladas. As razões para essa revisão envolvem não apenas a possibilidade de um El Niño forte, mas também sinais de deterioração nas lavouras de cacau.

A redução da projeção para 2026/27 considera a crescente probabilidade de um El Niño intenso e relatos de menor contagem de vagens nas áreas produtoras. Esses fatores levam a uma postura mais cautelosa e à necessidade de monitoramento das condições climáticas, que enfrentam desafios devido ao encharcamento do solo e ao aumento da incidência de doenças.

Produção na América do Sul e estratégia de mercado

No cenário da América do Sul, o Brasil apresenta perspectivas mais otimistas, com expectativas de uma das melhores safra de cacau em 2025/26, impulsionadas por condições climáticas favoráveis e investimentos no setor. Embora a previsão para 2026/27 estime uma produção de entre 210 mil e 215 mil toneladas, os produtores devem manter a atenção em relação aos riscos climáticos.

Contribuindo para a estabilidade do mercado, a decisão da Costa do Marfim de suspender temporariamente novas vendas antecipadas para a safra 2026/27 também é um ponto a ser considerado. Essa cautela diante das incertezas sobre o potencial produtivo da próxima temporada ressalta as limitações do modelo comercial regional.

É relevante observar que, mesmo com a incerteza climática, outros países produtores, como o Equador e o Peru, mantêm perspectivas de crescimento. O Equador, por exemplo, deve alcançar uma produção acima de 600 mil toneladas para 2025/26, apesar das previsões de desafios climáticos, evidenciando a resiliência do setor.

Com a expectativa de um El Niño intenso em 2026, a StoneX também citou as projeções do CPC, que indicam uma probabilidade de 81% de que o fenômeno atinja intensidade muito forte, o que aumenta a necessidade de estratégias eficazes para mitigar os riscos climáticos associados.

Por fim, a demanda global por cacau permanece estável, com a expectativa de um crescimento modesto de 2% para 2026/27. Apesar dos desafios, o setor busca um retorno gradual ao potencial histórico enquanto ainda navega pelas incertezas climáticas.