A revista britânica The Economist definiu como “sombria” a disputa nas eleições presidenciais brasileiras, destacando o embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa análise aparece em um momento crítico, à medida que se aproxima o pleito em 4 de outubro.
No editorial, a publicação menciona que o “futuro brilhante do Brasil ficará em suspenso por pelo menos mais quatro anos”, dado o cenário em que ambos os candidatos dominam as pesquisas para o cargo mais alto do Executivo. Assim, a revista expressa sua preocupação sobre a direção que o país pode tomar diante da liderança de Lula e Flávio.
No dia anterior, a revista já havia publicado uma reportagem onde se referia a Flávio como “filho de nepotismo vingativo” e a Lula como “esquerdista caduco”. Essa crítica se estende ao fato de que ambos não são vistos como confiáveis para lidar com os principais problemas do país, como a corrupção profunda e os gastos públicos descontrolados.
A revista observa que o Brasil é ricamente dotado de recursos, como extensas reservas de petróleo, a Floresta Amazônica e terras agrícolas produtivas. “Quando a capital, Brasília, foi construída na década de 1950, suas ruas foram traçadas no formato de um avião, simbolizando um país pronto para decolar”, afirma o texto. No entanto, a realidade atual sugere que “ainda está presa na pista”.
Os editores da The Economist enfatizam a necessidade de um próximo presidente que consiga controlar a dívida pública e a inflação. O objetivo seria permitir uma redução na taxa básica de juros, uma estratégia crucial para a recuperação econômica.
Ao considerar a bandeira econômica, a publicação critica a falha de Lula em “promover reformas econômicas”. Além disso, a idade do presidente, que conta com 81 anos, é questionada. A revista traça uma comparação com Joe Biden, ex-presidente dos EUA, que desistiu de concorrer à reeleição após um desempenho insatisfatório em debate.
Quanto a Flávio, ele é descrito como um político que ignora as mudanças climáticas e contesta a integridade do processo eleitoral, “insinuando que não acatará o resultado se Lula vencer”. O editorial ainda o associa a “criminosos violentos”, o que certamente não contribui para sua imagem pública.
O escândalo do Banco Master e as relações de Daniel Vorcaro com diferentes ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também são mencionados no editorial, ressaltando o impacto que esses acontecimentos podem ter sobre a corrida presidencial. As investigações policiais demonstraram que cinco dos 11 ministros do STF tinham ligações com Vorcaro, contribuindo para o cinismo popular.
A The Economist expressa apoio à candidatura de Renan Santos (Missão), descrevendo-o como um “libertário combativo”. A revista acredita que sua proposta de implementar reformas estruturais profundas e cortes significativos de gastos poderia levar o Brasil a se tornar uma grande potência. No entanto, também observa que nem ele, nem outros candidatos fora do sistema político conseguiram romper as estruturas consolidadas das máquinas políticas.
Apesar da forte crítica a Lula e Flávio, a revista enfatiza que o futuro do Brasil “não está totalmente morto”. De acordo com o editorial, “apesar da corrupção e do pensamento fechado de políticos corruptos, muitas das instituições vitais do país ainda funcionam”, como a Polícia Federal, a imprensa e o corpo diplomático brasileiro, aspectos que podem oferecer esperança em meio a um cenário político desafiador.

