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Delegado preso assumiu chefia da Polícia Civil antes do caso Marielle

Foto: divulgação

No último domingo, 24, o cenário policial se agitou com a detenção do delegado Rivaldo Barbosa pela Polícia Federal (PF), um nome que assumiu a liderança da Polícia Civil do Rio de Janeiro em um momento crucial da história recente do estado. Em 8 de março de 2018, Barbosa foi nomeado para o cargo, e apenas cinco dias depois, à beira de um evento trágico, o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, ele tomou posse. A decisão de nomeá-lo partiu do comandante da intervenção federal na segurança pública do Rio, general Walter Braga Netto, que assinou o decreto dia 8 de março, apesar de Barbosa ter sido anunciado para o cargo desde 22 de fevereiro durante o período de intervenção federal no estado.

A captura aconteceu em sua residência localizada em um condomínio em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Intrigante é observar que, mesmo a área de inteligência da Polícia Civil tendo se oposto à escolha de Barbosa na época de sua indicação, Braga Netto garantiu sua posse, superando as contraindicações.

Em um interessante desenvolvimento de carreira, Braga Netto, outrora interventor na segurança do Rio nomeado pelo ex-presidente Michel Temer, adentrou o cenário político. Posteriormente, ocupou posições destacadas nos governos, inclusive como ministro chefe da Casa Civil e ministro da Defesa no governo Jair Bolsonaro, antes de tentar a vice-presidência em 2022 na chapa com Bolsonaro. Ele enfrenta investigações por suspeitas de envolvimento nos preparativos para um golpe de Estado e na organização dos atos golpistas de janeiro de 2023.

Em seu discurso de posse, Barbosa prometeu “combater a corrupção” como uma de suas prioridades, mas, paradoxalmente, investigações sugerem que ele tentou proteger os responsáveis pela morte de Marielle Franco, conforme informado pela PF. Alegações apontam que Barbosa acordou com Domingos Brazão, do Tribunal de Contas do Estado, para evitar a identificação dos mandantes do crime, além de ser suspeito de ter recebido R$ 400 mil para obstruir as investigações – acusações estas que ele nega.

Adicionalmente, seu nome apareceu em uma delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, indicando que Barbosa estava ciente do crime e assegurou impunidade aos responsáveis.

Durante as investigações do assassinato de Marielle, Barbosa teria desviado o foco ao difundir informações equivocadas. Uma delas levou a uma pista falsa sobre supostas testemunhas chave. Essas manobras de despiste e a reunião que teve com parlamentares do PSOL, garantindo o esclarecimento do caso, hoje se chocam com a realidade de sua prisão.

O embate contra a corrupção e a impassibilidade ante a violência marcam a complexa trajetória de Rivaldo Barbosa, que, de promotor da justiça à figura controversa, suscitam discussões profundas sobre a segurança e a política no Rio de Janeiro. A prisão de Barbosa, conforme relatos do Marcelo Freixo, presidente da Embratur e político fluminense que teve contato próximo com Barbosa em tempos de crise, ilustra uma amarga ironia no coração da justiça e da política carioca.

As declarações de Barbosa após o trágico evento, prometendo esforços exaustivos para resolver o caso, agora contrastam dramaticamente com sua atual situação legal e as acusações contra ele, lançando luz sobre os desafios persistentes na luta contra a corrupção e pela justiça no Rio de Janeiro.

Fonte: https://folhadesorocaba.com.br/de-volta-sorocaba-reinaugura-unidade-do-sabe-tudo-conect-apos-anos-de-inatividade/

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