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Crise de financiamento ameaça assistência a refugiados no mundo urgente

Crise de financiamento ameaça assistência a refugiados no mundo urgente

A ACNUR enfrenta uma grave crise de financiamento que impacta diretamente os serviços humanitários a refugiados pelo mundo. O alto-comissário da agência, Barham Salih, destacou que a redução das contribuições de países doadores está forçando cortes nas operações. Esses cortes não podem ser adiados indefinidamente por medidas de economia, o que promete aprofundar a situação.

Até o início de outubro, a ACNUR havia garantido apenas US$ 3 bilhões de um total necessário de US$ 8,5 bilhões para financiar suas atividades até 2026. Isso representa apenas 35% da meta estabelecida. As previsões para 2027 indicam que cerca de US$ 2,68 bilhões serão necessários, mas esse cenário poderá mudar, especialmente após uma conferência de doadores programada para dezembro.

A insuficiência de recursos ocorre em um contexto de deslocamentos forçados recordes e após cortes significativos na ajuda internacional de países como os Estados Unidos. Isso ocorreu durante a administração do ex-presidente Donald Trump, contribuindo para o atual cenário de escassez.

Medidas Adotadas pela ACNUR

No discurso dirigido ao comitê executivo da ACNUR em Genebra, Salih revelou que a agência já implementou ações para reduzir despesas e melhorar o controle financeiro. No entanto, ele alertou que é inviável adotar mais medidas de eficiência sem que haja uma repercussão negativa nas operações. “Quando o financiamento cai abaixo de um determinado ponto, as consequências não são abstratas; são sentidas por aqueles que dependem dessa assistência”, declarou.

Como resultado dessa crise, a ACNUR também se viu obrigada a passar por uma das maiores reestruturações de sua história. Desde 2024, o número de funcionários foi reduzido de 20 mil para menos de 12 mil. A agência se esforça para preservar suas operações na linha de frente, concentrando a maior parte dos cortes nas sedes e escritórios regionais.

Atualmente, 88% dos colaboradores da ACNUR continuam atuando fora de suas sedes, e cerca de 95% dos profissionais que trabalham em atividades de proteção, como registro de refugiados e assistência jurídica, foram mantidos em locais de campo.

Impactos da Falta de Recursos

A crise de financiamento já está afetando diretamente programas de assistência. Por exemplo, no Sudão, a carência de recursos ameaça o atendimento médico especializado, a assistência jurídica e apoio psicológico a mais de 30 mil sobreviventes de violência sexual decorrente do conflito. Essa realidade, segundo Salih, é alarmante e precisa de urgente atenção.

No Chade, os serviços voltados para crianças desacompanhadas ou que se separaram de suas famílias estão seriamente comprometidos. Milhares de menores em situações vulneráveis estão em risco, caso esses serviços fundamentais não sejam mantidos.

Na Etiópia, o registro de dezenas de milhares de refugiados do Sudão do Sul e da Eritreia foi suspenso, o que representa um retrocesso significativo na proteção e assistência a esses grupos. Salih enfatizou que a diminuição do financiamento pode comprometer não apenas as operações da ACNUR, mas a capacidade de proteção fornecida por todo o sistema humanitário. “Abaixo de um determinado nível, o sistema não apenas encolhe: a proteção que conseguimos oferecer começa a falhar”, alertou.

O Futuro da ACNUR

A atual crise de financiamento da ACNUR é uma questão de extrema urgência e deve ser abordada de forma eficaz para garantir que os refugiados continuem recebendo o suporte necessário. A situação atual não apenas afeta as operações da agência, mas também a esperança de milhões de pessoas que dependem diretamente da assistência humanitária em momentos críticos.

As previsões de arrecadação e as possibilidades de reestruturação para o próximo ano são uma preocupação constante. Assim, as conferências de doadores se mostram essenciais para tentar reverter esse quadro e assegurar que a ACNUR possa manter suas atividades e atender às necessidades humanitárias urgentes de refugiados pelo mundo.

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