O consumo nas lares brasileiros cresceu 2,21% em agosto na comparação com julho, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na comparação com agosto do ano anterior, houve alta de 2,69%. Esse aumento é um reflexo das condições do mercado de trabalho e da renda, que têm sustentado o comportamento dos consumidores mesmo em um cenário de preços em observação.
Crescimento contínuo do setor
No acumulado de janeiro a agosto, o avanço do consumo é de 2,71%. Este resultado mantém a trajetória positiva do indicador, embora em um ritmo mais moderado do que observado na passagem de junho para julho, quando o consumo havia avançado 3,01%. O vice-presidente da Abras, Márcio Milan, ressaltou que o desempenho ainda está sustentado pela melhora do mercado de trabalho e pela expansão da renda, fatores que desempenham papéis cruciais na dinâmica de consumo.
A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada alcançou a marca de 103,5 milhões de pessoas, mostrando um aumento significativo no emprego, que é o maior nível já registrado na série histórica. Entretanto, Milan também apontou que há um maior comprometimento da renda das famílias, que atingiu 28,7% em julho, comparado a 27,3% no mesmo mês do ano anterior. Esse aumento no comprometimento sugere que as famílias estão se tornando mais cautelosas em relação aos seus gastos, mesmo diante de um cenário de crescimento do consumo.
Impacto na cesta de alimentos
A cesta Abrasmercado, que inclui 35 produtos de grande consumo, registrou uma queda de 0,57% em agosto, marcando a terceira retração mensal consecutiva após recuos de 0,28% em junho e de 1,24% em julho. O valor médio da cesta passou de R$ 841,95 para R$ 837,14. Contudo, no acumulado do ano, a cesta ainda apresenta uma alta de 4,60%, o que indica uma pressão inflacionária em relação a produtos básicos.
Por outro lado, a cesta com 12 produtos essenciais mostrou um comportamento diferente, com uma leve alta de 0,09% em agosto em comparação a julho. O valor médio nacional desses produtos ficou em R$ 356,76, e no acumulado de janeiro a agosto, a cesta registrou um avanço de 4,81%. Este contraste entre diferentes categorias de produtos pode ser um indicativo de variações específicas no mercado alimentício que merecem atenção especial.
Expectativas e fatores de influência
Para o último trimestre do ano, a Abras identificou fatores que podem sustentar o consumo, como a revisão do valor do Bolsa Família, o pagamento do 13º salário, a Black Friday e as festividades de fim de ano. A entidade estima que cerca de R$ 49 do valor adicional médio do Bolsa Família por família sejam destinados ao abastecimento dos lares, o que pode ajudar a manter a alta nos índices de consumo.
A associação também está atenta à possível retomada da alta dos preços dos alimentos na prévia da inflação de setembro, além dos possíveis efeitos climáticos sobre a oferta de produtos. “Ainda é cedo para afirmar se a pressão sobre os preços vai persistir nos próximos meses”, concluiu Milan, refletindo as incertezas que ainda permeiam o setor. O acompanhamento do setor alimentício, especialmente em um cenário de inflação e compromissos de renda, será crucial para entender as próximas movimentações do consumo nos lares brasileiros.