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Como será a Assembleia Geral da ONU em 2023?

Como será a Assembleia Geral da ONU em 2023?

A Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) começa com o tema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: Uma ONU que entrega para todos.” Este encontro anual é crucial, especialmente neste ano, que marca o último evento do secretário-geral português António Guterres, enquanto o debate sobre inteligência artificial ganha destaque.

Uma oportunidade de discussão

A AGNU é um ponto de encontro para líderes globais, onde negociações são favorecidas pela alta concentração de diplomatas. O ex-presidente Donald Trump fará reuniões de alto nível com líderes do Golfo Pérsico para discutir a guerra no Irã. Também está programado um briefing para o Conselho da Paz, uma iniciativa de Trump que, curiosamente, pode ser vista como uma alternativa à própria ONU.

O atual presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reunirá com Trump, assim como o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, que discutirá com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. As negociações e conversas que ocorrem à margem da assembleia refletem a complexidade das relações internacionais contemporâneas.

Discursos e sanções: o impacto global

Os discursos na Assembleia geralmente atraem muita atenção pelo comportamento do público. Um bom exemplo disso foi o ano passado, quando delegados saíram da sala durante a fala de Netanyahu. Este ano, espera-se que líderes de mais de 130 países compareçam, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Rodríguez fará sua estreia na ONU enquanto seu antecessor, Nicolás Maduro, permanece sob custódia. O impacto dos discursos vai além do palco, envolvendo questões de política externa e tensões regionais, como a recusa do governo Trump em dar visto a Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina.

As delegações do Irã, por outro lado, conseguiram a autorização para participar da assembléia, embora sob restrições severas. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian poderá discursar em um contexto tenso, onde seu país está em conflito com os EUA, refletindo a complexidade das diplomacias internacionais.

Os desafios financeiros da ONU

Este ano, a Assembleia Geral se depara com uma situação financeira mais sólida em comparação ao ano anterior, quando a ONU enfrentava uma crise orçamentária severa. O governo dos EUA enviou recentemente US$ 827 milhões em contribuições, sugerindo uma abordagem mais positiva em relação à organização.

Ainda assim, a Assembleia se tornou um palco para críticas sobre a relevância da ONU. No ano passado, Trump questionou o papel da organização, provocando reflexões sobre sua eficácia na resolução de conflitos e a necessidade de um lugar comum para debates globais.

Apesar dos desafios, o analista Daniel Forti acredita que a ONU ainda tem um papel fundamental a desempenhar nas relações internacionais. A capacidade de reunir países para discutir paz e segurança, em um cenário global tumultuado, permanece essencial. A assembleia deste ano promete não apenas debates importantes sobre inteligência artificial, mas também uma reflexão sobre o futuro da organização em um mundo em constante transformação.