O número de casos de indisciplina de passageiros em aviões no Brasil cresceu 19% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). Este aumento significativo é um alerta para as companhias aéreas e autoridades, refletindo uma preocupação crescente com a segurança nos voos. No último dia 10 de maio, um executivo chileno foi flagrado cometendo ofensas racistas, homofóbicas e xenofóbicas contra um comissário de bordo em um voo da Latam, um incidente que exemplifica a gravidade da situação.
Nos primeiros três meses deste ano, o número de casos saltou de 364 para 434, segundo registros feitos pelas próprias companhias aéreas, em comparativo com os números do ano passado. Esse aumento é alarmante e levanta questões sobre o comportamento dos passageiros e as medidas de controle implementadas pelas companhias.
O relatório ainda apontou um aumento de 23% nos episódios classificados como Categoria 3, que envolvem infrações graves que afetam consideravelmente a segurança do voo. Esses episódios incluem agressões físicas, ameaças, tentativas de invasão à cabine de comando e falsas ameaças de bomba. O aumento dos casos graves indica que a situação requer atenção imediata das autoridades da aviação civil para garantir a segurança de todos a bordo.
Durante o ano de 2025, o volume total de casos chegou a 1.764, representando um aumento de 66% em comparação a 2024, o que resulta em uma média de quase três ocorrências por dia no setor aéreo brasileiro. Essa estatística é preocupante e ressalta a urgência de se implementar soluções eficazes para conter essa escalada de indisciplina.
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Crescimento de Casos de Indisciplina
O flagrante das ofensas proferidas pelo executivo comercial chileno Germán Andrés Naranjo Maldini ocorreu durante um voo da Latam, que partiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, com destino a Frankfurt, na Alemanha. É fundamental destacar que esse tipo de comportamento não apenas compromete a segurança do voo, como também afeta o ambiente de trabalho dos profissionais a bordo.
A confusão teve início quando o passageiro tentou abrir a porta do avião e foi impedido pelos tripulantes. Ao ser contido, ele iniciou uma série de ataques contra um funcionário da companhia aérea. A situação escalou rapidamente e se tornou um exemplo chocante do que pode acontecer quando o comportamento de passageiros não é controlado adequadamente.
Em vídeos gravados pela própria vítima, o chileno inicia os insultos afirmando: “Ele é gay, eu não sou gay. Para mim é um problema ser gay”. Questionado pelo comissário se havia algum problema no fato de ele ser gay e preto, o executivo seguiu com as agressões: “A pele preta… que mais? O cheiro de preto, o cheiro de brasileiro…”. Mesmo após os pedidos da tripulação para que se sentasse e parasse com as ofensas, o chileno rebateu chamando o tripulante de “preto” e “macaco”, passando, em seguida, a imitar o animal no meio da aeronave. Isso reflete a necessidade de um ambiente mais respeitoso e tolerante dentro da aviação civil.
Reforço nas Medidas de Segurança
O homem foi localizado e preso preventivamente pela PF (Polícia Federal) nessa sexta-feira (15), ao retornar ao Brasil em uma conexão vinda de Frankfurt. Isso levanta uma questão importante: até que ponto as medidas de segurança estão sendo eficazes para prevenir esse tipo de incidente? Após passar por audiência de custódia em que o juiz manteve sua prisão preventiva, o chileno foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos, ficando à disposição da Justiça. Esse caso poderá ser um divisor de águas em como a indisciplina de passageiros é tratada nas aeronaves brasileiras.
Além da prisão, Germán, que trabalhava há mais de 10 anos em uma empresa chilena de fabricação de pescados, foi afastado formal e preventivamente de seu cargo. Essa decisão reflete a postura da empresa em relação a comportamentos inaceitáveis que prejudicam a imagem da organização e o bem-estar de seus colaboradores.
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A companhia emitiu um comunicado aos colaboradores condenando de forma categórica qualquer ato de discriminação, classificando a atitude como incompatível com os valores da organização. Essa postura é essencial para restaurar a confiança dos funcionários e dos passageiros. A Latam também emitiu nota repudiando veementemente o episódio de violência e informou que, além de colaborar integralmente com as investigações da PF, está prestando todo o suporte jurídico e acolhimento psicológico ao funcionário vítima dos crimes.
A CNN Brasil tenta localizar a defesa do chileno. O espaço segue aberto para que todas as partes possam ser ouvidas. A discussão sobre a indisciplina de passageiros é um tema que precisa ser abordado com urgência para garantir a segurança e o respeito dentro das aeronaves.