O ex-governador e pré-candidato à Presidência da República pelo PSD (Partido Social Democrático), Ronaldo Caiado, voltou a fazer declarações sobre a nova decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% a produtos importados do Brasil, que deve entrar em vigor na próxima quarta-feira (22). Essa questão está gerando muitos debates e polêmicas no cenário eleitoral.
Em conversa com jornalistas nesta sexta-feira (17) em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, Caiado criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao episódio, mencionando que o mandatário “quer a briga com [Donald] Trump”. O ex-governador sugeriu que o novo tarifaço seria benéfico para a campanha de reeleição do petista, levantando a questão da tarifa de importação como um tema de relevância na política atual.
“O Lula quer o tarifaço, ele quer a briga com Trump de toda maneira, é isto que está motivando desde que entrou na presidência: essa provocação diária pra ele poder querer achar que agora ele vai dar uma de patriota, né, sendo que, na verdade, ele já entregou o Brasil para a corrupção e para o crime organizado, mas agora ele quer pousar de patriota”, disse.
Na sequência, Caiado comentou a postagem do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre as tarifas, que acusou Lula de “não negociar de boa-fé” e que o presidente “colocou o seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro e essas tarifas são o preço por isso”.
Para Caiado, tais declarações fazem com que Rubio aja como “um cabo eleitoral do Lula”, o que pode servir como um trunfo para o presidente no pleito deste ano. Além disso, essa situação culmina em discussões sobre a importância de um governo que realmente defenda os interesses do Brasil em fóruns internacionais.
“E também a declaração infeliz do Marco Rubio, que, sem dúvida nenhuma, faz com que ele aja como um cabo eleitoral do Lula. Porque, ao dizer que tá penalizando o país porque não tá tendo uma boa convivência com o presidente, ele tá deixando de olhar para 215 milhões de brasileiros”, completou o pré-candidato.
Consequências do novo tarifaço
O novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil será aplicado às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência. No entanto, haverá uma regra de transição: produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.
A nova tarifa é adicional às alíquotas já existentes. Com isso, um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais. Esse aumento impactará vários setores da economia, principalmente aqueles que dependem fortemente da importação.
O documento também traz uma lista de produtos isentos da nova taxa, preservando itens considerados estratégicos para a economia americana ou em casos em que a oferta doméstica não é suficiente. Entre os itens isentos estão aeronaves civis, café solúvel sem sabor, e diversos produtos farmacêuticos.
Por outro lado, pedidos de isenção apresentados por setores ligados a máquinas agrícolas, calçados, equipamentos elétricos, papel, aço, açúcar orgânico e diversos bens manufaturados foram rejeitados pelo USTR. Essa rejeição acaba por ampliar a preocupação entre os empresários sobre o que pode acontecer no futuro para as exportações brasileiras.
Reações à decisão do governo norte-americano
Ronaldo Caiado declarou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que está indignado com o novo tarifaço. “Isso é uma penalização direta a quem trabalha e a quem produz no Brasil”, afirmou o goiano, destacando como essa decisão impactará a classe trabalhadora.
“Veja em que situação o Brasil está: Um fazendo piada da dentadura do Trump e o outro pedindo para que realmente fosse adiado para depois das votações”, prosseguiu. Essa retórica critica não só a posição do governo brasileiro, mas também sugere que essas ações estão sendo guiadas por interesses políticos e não pelo bem-estar da população.
“Então eu pergunto ao Lula e ao Flávio: Vocês estão defendendo o interesse de uma campanha eleitoral? O Brasil ficou de fora da defesa de vocês e o Brasil tá sendo penalizado agora. O Brasil precisa de um presidente que tenha estatura pra poder sentar naquela cadeira, saber defender o Brasil e dar ao Brasil a projeção que ele merece”, finalizou.
*Sob supervisão de Renata Souza
**Com informações de Leticia Martins