A queda nas importações de fertilizantes pelo Brasil tem gerado preocupações significativas entre produtores e especialistas do setor agrícola, especialmente com a aproximação do plantio da safrinha de milho. A situação se torna ainda mais crítica diante da incerteza quanto à oferta desses insumos essenciais para a agricultura. As importações tiveram um recuo significativo nos primeiros nove meses de 2026, comparados ao mesmo período do ano anterior, refletindo uma postura mais cautelosa por parte dos importadores, que enfrentam desafios relacionados a preços, custo-benefício e disponibilidade no mercado internacional.
De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, essa retração é observada em diversas categorias de fertilizantes, incluindo os fosfatados e nitrogenados. A elevação do preço do enxofre, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, tem atingido em cheio o mercado de fertilizantes fosfatados, levando a uma diminuição nas aquisições e impactando diretamente a produção.
Impacto nas Importações de Fertilizantes Fosfatados
Entre janeiro e setembro de 2026, as importações de MAP (fosfato monoamônico) caíram cerca de 15% em relação ao ano anterior. Da mesma forma, as compras de SSP (superfosfato simples) sofreram uma queda de 24%. Essa diminuição nas importações está diretamente conectada às condições do mercado interno, onde uma grande fabricante nacional foi forçada a reduzir sua produção de SSP devido à alta nos custos do enxofre.
Este cenário levanta questões sobre como a produção interna de fertilizantes pode continuar a atender à demanda crescente nas próximas temporadas de cultivo. A diminuição drástica na oferta pode afetar não apenas os preços, mas também a capacidade do Brasil de garantir insumos essenciais para a agricultura nacional.
Retração nos Fertilizantes Nitrogenados
Os fertilizantes nitrogenados também enfrentam um panorama desanimador. Dados indicam que as importações de ureia, um dos principais fertilizantes para a preparação da safrinha de milho, caíram 21% no período de janeiro a setembro de 2026, em comparação com o mesmo intervalo de 2025. O nitrato de amônio viu suas importações reduzirem em 32%, enquanto o sulfato de amônio teve uma diminuição de 18,5% nas compras.
Mesmo com a crescente participação do sulfato de amônio nas importações brasileiras nos últimos anos, a queda nas aquisições sugere que importadores estão se reposicionando no mercado e pode indicar uma necessidade de encontrar novos fornecedores internacionais para garantir os suprimentos necessários para o próximo ciclo de plantio.
Atrasos nas Compras e Implicações Futuras
O analista Tomás Pernías emitiu um alerta sobre o receio de que os atrasos nas importações de fertilizantes possam representar uma destruição da demanda. A volatilidade dos preços internacionais e as relações de troca desfavoráveis têm gerado um ambiente incerto para os agricultores, que se mostram relutantes em adquirir insumos a preços elevados. A situação é preocupante, pois não está claro se os importadores simplesmente adiaram suas compras devido às condições do mercado ou se a demanda efetiva foi reduzida.
Conforme esse cenário se desenvolve, as implicações para a safrinha de milho do ciclo 2026/27 podem ser significativas, com a possibilidade de estoques limitados de nitrogênio, essenciais para o cultivo. Embora ainda não se possa determinar se isso terá um impacto direto na produtividade do milho, a situação exige uma vigilância constante dos especialistas e dos agricultores que dependem dessas importações para garantir a saúde das lavouras.