Na manhã desta quinta-feira (17), o MPSP (Ministério Público de São Paulo) em conjunto com a Polícia Civil deflagrou uma operação significativa visando a infiltração do PCC no transporte público em São Paulo. Com a mira em 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, a operação destaca a crescente preocupação das autoridades com a atuação do crime organizado no setor de transporte da capital.
Entre os alvos da operação estão figuras proeminentes, incluindo o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL), e o ex-presidente da SPTrans Levi Oliveira. A investigação revela que ao menos 12 empresas de transporte coletivo operando na cidade estão ligadas ao controle direto ou indireto da facção criminosa.
Até o momento, nove dos 16 alvos já foram detidos, incluindo Júlio Salvador Filho e Danilo Marco Morgado Silva. Milton Leite, que afirma estar em viagem, prometeu se apresentar às autoridades dentro de 24 horas e defendeu sua inocência.
Os principais alvos da operação
Milton Leite
Considerado um dos principais alvos, Milton Leite foi identificado como o “responsável direto” pelas operações de empresas supostamente controladas pelo PCC. Ele é mencionado em denúncias que ligam sua figura à empresa Transwolff, a qual, segundo investigações, seria utilizada para encobrir recursos do crime organizado, provenientes de atividades ilícitas.
As investigações revelaram que a Transwolff, junto com a UPBUS, recebeu mais de R$ 800 milhões dos cofres públicos em 2023. Leite, que já ocupou diversos cargos políticos em São Paulo, nega qualquer conexão com o PCC e assegura que sua atuação no setor de transporte foi por motivos institucionais.
Levi dos Santos Oliveira
O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, também é acusado de facilitar a interação entre empresas de ônibus e o PCC. Mensagens extraídas de comunicações investigadas indicam que ele se reuniu periodicamente com associados da facção, levantando suspeitas de conluio.
Ele trabalhou na SPTrans desde 1991 e foi presidente a partir de 2020, sendo considerado uma referência técnica na área, o que torna as acusações ainda mais graves sob a perspectiva da responsabilidade pública.
Danilo Marco Morgado Silva
Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL, é mencionado como alguém que utilizou recursos do PCC para financiar sua campanha. Em 2024, ele foi alvo de um mandado anterior durante a Operação Decúrio, que investigou lavagens de dinheiro supostamente ligadas ao PCC.
Em suas redes sociais, Morgado declarou estar sendo alvo de uma perseguição política, especialmente com a proximidade das eleições. Ele criticou a timing da prisão e se declarou injustamente tratado.
Conexões diretas com o crime
Carla De Paula Muller
A esposa de Antônio Jose Muller Junior, um dos líderes do PCC, Carla De Paula Muller tem sido identificada como uma operadora nas comunicações da facção no ambiente do transporte. Ela supostamente enviava mensagens em nome do marido e manipulava contatos entre o PCC e o setor de transporte público.
“Lalinha” e “Peru”
Edivania Arruda Botelho Alves, conhecida como “Lalinha”, é considerada uma intermediária para transmitir recados entre membros do PCC. Edson Antônio de Sousa, também conhecido como “Peru”, é suspeito de atuar em licitações, fortalecendo a teia de corrupção no setor.
Outros envolvidos e sua atuação
Eduardo Medeiros, chamado de “Galo”, é advogado de um dos líderes da facção e é proprietário de empresas de transporte, fazendo a ligação direta entre esses negócios e o crime organizado. José Ronaldo Alves de Sales é outro réu, que possuía forte influência política e facilitou a conexão entre o PCC e agentes políticos.
A operação busca desmantelar essa rede abrangente e complexa de corrupção que abarca tanto a esfera pública quanto privada, onde advogados e empresários aparentemente atuam em conluio com o crime organizado.
A resposta das autoridades e a colaboração das instituições
A Prefeitura de São Paulo reagiu rapidamente, cortando contratos com empresas suspeitas e determinando intervenções em operações consideradas suspeitas. O prefeito Ricardo Nunes enfatizou a seriedade da situação, afirmando que não irá tolerar a corrupção.
A administração municipal tem colaborado com o MPSP e a Polícia Civil, assegurando o fornecimento de documentos e informações necessárias para amparar as investigações.
Os interessados, como o ex-vereador Milton Leite, a A2 Transportes e outros indivíduos mencionados, negam veementemente as acusações e prometem se defender no âmbito legal, reiterando seu compromisso com a ética e a transparência. A situação é volátil e a investigação continua em andamento, enquanto as autoridades buscam assegurar a integridade do transporte público em São Paulo.

