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Além de postes e cabos: plano da Âmbar quer levar a rede elétrica do Amazonas à era da Energia 4.0

Vista aérea de subestação de energia elétrica cercada por mata

Subestação de energia | Foto: Marinha do Brasil (CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons)

Trocar poste velho e cabo gasto é só metade da conta. O programa que a Âmbar Energia apresentou para a rede de distribuição do Amazonas inclui também uma virada tecnológica: rede digitalizada, monitoramento em tempo real, medidores inteligentes e subestações modernizadas. É o que o setor elétrico chama de Energia 4.0.

A expressão descreve uma fase em que a rede deixa de apenas transportar eletricidade e passa a gerar informações sobre si mesma. Sensores e equipamentos conectados mostram o que está acontecendo em cada trecho, e os dados passam a guiar a manutenção e o planejamento.

Isso não torna a parte física menos importante. Pelo contrário: nenhuma rede digital funciona sem postes, cabos, transformadores e subestações em bom estado. A tecnologia depende da estrutura, não a substitui.

O valor anunciado é de R$ 5,5 bilhões até 2031, sendo R$ 3,9 bilhões de recursos próprios da Âmbar. O que falta deve vir de verbas federais de programas como o Luz para Todos e de projetos de interligação.

Na lista de intervenções estão cabos concêntricos revestidos no lugar dos antigos, circuitos ampliados e revitalizados, subestações novas e ampliadas e sistemas de monitoramento. Reforçar um circuito não basta; é preciso saber como ele está operando, onde está mais pressionado e quando cada equipamento vai precisar de reparo.

Hoje, boa parte das falhas só chega ao conhecimento da distribuidora pela reclamação do cliente. Numa rede digital, alterações de tensão, sobrecarga ou queda de energia aparecem nos sistemas e ajudam a localizar o defeito mais depressa.

Os medidores inteligentes entram aí. Eles registram muito mais dados do que os relógios comuns e permitem acompanhar o consumo, perceber mudanças de carga e encontrar anomalias. Para o morador, abre-se a possibilidade de entender melhor o próprio consumo.

Um dos alvos é a chamada perda não técnica, ou seja, energia consumida e não paga por causa de gatos, fraudes ou erros de medição. Empresários estimam que perto de 44% da energia colocada na rede hoje não seja faturada. A Âmbar promete atacar o problema juntando medição nova, infraestrutura modernizada e regularização de ligações.

Em Manacapuru, uma termelétrica de 5 MW foi instalada para segurar a demanda no horário de pico. É uma solução de emergência, que pode andar junto com investimentos permanentes e com o monitoramento da demanda para planejar o crescimento do consumo.

Já em Humaitá, o serviço é dos mais tradicionais: postes e cruzetas trocados, 34 quilômetros de rede reforçados e vegetação retirada de perto da fiação. Nada de futurista, mas fundamental para a luz não faltar.

No Amazonas, com suas distâncias enormes e comunidades de acesso difícil, saber exatamente onde está o problema pode poupar horas de deslocamento das equipes. É essa soma de reconstrução física com inteligência de dados que o conceito de Energia 4.0 propõe para o Estado.

Entenda as fases da energia

Energia 1.0 | Eletrificação
O grande desafio era gerar eletricidade e montar redes capazes de levá-la até as pessoas.

Energia 2.0 | Expansão e escala
Usinas de grande porte, linhas de transmissão e redes de distribuição ampliam o alcance e a capacidade do sistema.

Energia 3.0 | Automação
A operação passa a contar com informática, telecomunicações, comando remoto e sistemas automáticos.

Energia 4.0 | Inteligência e conectividade
Sensores, medidores inteligentes, internet das coisas, análise de dados, inteligência artificial e redes inteligentes dão uma visão muito mais completa do sistema.

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