A Airbus, da Europa, ordenou um novo corte de 10% na maioria dos gastos não industriais, à medida que a incerteza global e os problemas na cadeia de suprimentos continuam a afetar seu principal negócio de jatos comerciais, disseram três fontes do setor.
A repressão visa a divisão de fabricação de aviões e as atividades relacionadas à sede, mas não afetará a produção, disseram eles. Ela está em vigor há várias semanas e se soma a um projeto de redução de custos chamado LEAD, lançado em 2024.
A nova medida de “contenção de custos” visa, em particular, restringir o uso de contratados externos, tradicionalmente um recurso fundamental para a maior fabricante de aviões do mundo, disseram as fontes à Reuters.
A Airbus, com sede em Toulouse, recusou-se a comentar. Essa medida, até então não divulgada, reflete os esforços de empresas ocidentais para conter gastos em resposta à incerteza econômica e aos custos decorrentes da guerra com o Irã e das tensões comerciais mais amplas.
Uma análise da Reuters sobre declarações de empresas listadas nos Estados Unidos, Europa e Ásia, publicada na segunda-feira, constatou que as empresas enfrentam uma conta de pelo menos US$ 25 bilhões devido à alta dos preços da energia e à fragmentação das cadeias de suprimentos.
O CEO da Airbus, Guillaume Faury, disse a analistas no mês passado que não havia interrupções imediatas decorrentes diretamente da guerra, mas que o grupo estava preocupado com o impacto potencial dos preços mais altos do petróleo no custo de produtos derivados.
O planejamento financeiro já havia sido prejudicado por um problema com os painéis da fuselagem das aeronaves da série A320 no final do ano passado.
Aumentando estresse
A Airbus também está envolvida em uma disputa contínua com um de seus principais fabricantes de motores, a Pratt & Whitney, o que levantou dúvidas sobre o número de motores disponíveis para entrega.
As fontes disseram que as dores de cabeça relacionadas à integração de parte da extinta fornecedora de aeroestruturas Spirit AeroSystems continuam a afetar, principalmente, a produção de peças do A350.
As entregas de aeronaves, que impulsionam os lucros, caíram 16% no primeiro trimestre, à medida que as pressões de oferta amplificaram os padrões sazonais.
Essa diferença diminuiu para 6% em abril, mas fontes da indústria disseram que o novo esforço de redução de custos da Airbus destacou a tarefa que se avizinha para recuperar o atraso nas entregas.
A Airbus prevê um aumento de aproximadamente 10% nas entregas, para cerca de 870 aeronaves este ano. Segundo dados da Cirium, a Airbus já entregou cerca de 27 aeronaves neste mês.
“Não vejo muita aceleração, esse é o problema”, disse o analista de aviação Rob Morris. “Eles estão criando tensão no sistema se quiserem fazer 870 entregas.”
Em abril, Faury disse a analistas que a grande maioria das aeronaves da família A320 afetadas por painéis defeituosos de um fornecedor espanhol seriam entregues até o final de junho.
