O impacto significativo no mercado de petróleo do Golfo está projetado para diminuir a demanda global antes que os fluxos pelo Estreito de Ormuz comecem a se regularizar gradualmente. A Agência Internacional de Energia (AIE) fez essa afirmação em seu relatório mensal, divulgado na última quarta-feira.
De acordo com a AIE, a produção deve se recuperar vigorosamente, alcançando 8 milhões de barris por dia (bpd) até 2027, após as quedas deste ano provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Embora haja um avanço nas negociações entre EUA e Irã, com um acordo provisório previsto ainda para esta semana, a AIE prevê que a recuperação completa do tráfego pela principal rota marítima da região deve levar meses. Esta situação é causada por expectativas de interrupções severas na oferta e os preços elevados do petróleo.
Projeções de Demanda de Petróleo
A AIE revisou suas previsões, estimando uma queda na demanda global por petróleo de 1,1 milhão de bpd neste ano, superando a expectativa anterior de recuo de 420 mil bpd. Essa revisão reflete os efeitos adversos dos altos preços e das interrupções provocadas pelo conflito.
Em contrapartida, para 2027, a entidade antecipa um crescimento na demanda, projetando um aumento de 2 milhões de bpd. Este crescimento deverá ocorrer à medida que os fluxos comerciais se estabilizem, os preços diminuam e o cenário econômico se normalize.
Notícias veiculadas pelo The Wall Street Journal informa que o acordo em questão poderá incluir dispensas (waivers) das sanções dos EUA sobre as vendas de petróleo iraniano, bem como o fim dos bloqueios em relação ao Estreito de Ormuz, embora os detalhes exatos ainda não tenham sido divulgados.
Desafios na Normalização do Mercado
Apesar do progresso nas negociações, a AIE enfatiza que a recuperação total será um processo lento. As minas nas principais rotas de navegação precisarão ser removidas, e as cadeias de suprimentos levarão tempo para se normalizar. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, paralisou a navegação no estreito, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural do mundo.
Analistas do setor destacam que a recuperação plena exigirá um período considerável, devido a dificuldades logísticas e de segurança, incluindo o reposicionamento de navios e a reprogramação de portos, além da necessidade de restabelecer coberturas de seguro.
Consequências e Expectativas Futuras
A AIE estima que a oferta global continuará a sofrer uma queda acentuada de 3,9 milhões de bpd até 2026, refletindo a retenção de uma parte significativa do suprimento no Golfo Pérsico. Em maio, a produção global era 13,6 milhões de bpd inferior aos níveis pré-guerra, o que sinaliza um mercado em transição e recuperação.
As exportações provenientes de produtores do Golfo recuaram 1,1 milhão de bpd e continuam quase 15 milhões de bpd abaixo dos níveis registrados em fevereiro. Para o ano de 2027, as previsões indicam que a produção da Opep+ deve aumentar em 5,5 milhões de bpd, enquanto a produção fora do grupo crescerá em 2,5 milhões de bpd, totalizando 8 milhões de bpd.
As exportações iranianas foram particularmente afetadas pelas restrições americanas, descendo 1,4 milhão de bpd para apenas 230 mil bpd. Contudo, uma parte dessa perda foi mitigada pelo aumento das transferências no Golfo de Omã, uma rota utilizada para mascarar a origem dos carregamentos, que registrou volumes de até 1,8 milhão de bpd no início de junho.
Os estoques globais, por sua vez, experimentaram uma aceleração nas reduções, atingindo 143 milhões de barris em maio. A média de retiradas desde o início do conflito chegou a 3,8 milhões de bpd. Os estoques governamentais da OCDE também caíram 163 milhões de barris, alcançando os níveis mais baixos desde dezembro de 1990.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.