O mercado de tratores compactos no Brasil tem ganhado destaque com o aumento do foco na agricultura familiar. A Agritech, fabricante de tratores de até 50 cavalos de potência, fechou o último ano com faturamento de R$ 250 milhões e crescimento de 18%. É controlada pelo Grupo Agrale e depende fortemente das linhas de crédito oficiais para sustentar suas vendas.
Para 2026, a expectativa de crescimento é mais moderada, em torno de 10%. segundo Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, CEO da companhia, “A gente sempre trabalhou muito voltado para a agricultura familiar. Esse é o nosso principal mercado”. Hoje, cerca de 50% das operações da empresa estão ligadas ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
Impactos da Liberação de Crédito
A execução mais lenta do Plano Safra e os juros elevados afetaram o setor no último ano. Embora o programa tenha sido anunciado, apenas cerca de 35% dos recursos foram disponibilizados até o momento. Cesar destaca que isso afeta o ritmo do setor: “O produtor até tem interesse, mas depende da liberação do crédito”. Para 2023, há uma expectativa mais otimista, já que, em anos eleitorais, geralmente ocorre um esforço maior para a liberação de recursos.
Crescimento do Consórcio
O consórcio também tem ganhado espaço, representando 10% das vendas no segmento de pequenos produtores, enquanto entre os grandes produtores esse número é ainda maior. Considerando todas as máquinas comercializadas, o consórcio responde por 22% do total de vendas, sinalizando uma mudança nas formas de aquisição de maquinários no agronegócio.
Microtrator como Solução
Desde sua origem, a Agritech se especializou em tratores compactos, principalmente voltados para pequenos agricultores. Um dos destaques dessa linha é o microtrator, ideal para produtores que estão iniciando a mecanização. “É a primeira máquina quando o produtor deixa a enxada”, explicou Cesar. Com preços que variam entre R$ 37 mil e R$ 60 mil, dependendo dos implementos, o microtrator se torna uma solução acessível para muitos agricultores, especialmente no Rio Grande do Sul, que concentra a maior parte da base de clientes da empresa.
O histórico da Agritech remonta à sua ligação com a Yanmar, que encerrou suas atividades agrícolas no Brasil em 2000. Foi só em 2017, sob o controle do Grupo Agrale, que a empresa reativou suas operações no país, com suas unidades industriais situadas em Indaiatuba (SP).