O escritório de advocacia Barci de Moraes confirmou a utilização de voos de jatinho operados por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A informação surgiu em uma nota disponibilizada por esse escritório, que tem como sócia Viviane de Moraes, esposa do magistrado.
De acordo com o comunicado enviado à CNN, o escritório Barci de Moraes esclareceu que contrata serviços de táxi aéreo e que a Prime Aviation é uma das empresas que trabalham nesse segmento. “Em nenhum dos voos realizados em aeronaves da Prime Aviation com integrantes do escritório esteve presente Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa alheia ao escritório”, destacou a nota.
No final de março, o gabinete de Moraes havia negado que o ministro utilizasse aeronaves de empresas ligadas ao ex-proprietário do Banco Master. Essa negativa foi emitida após uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, que apontou a presença de Moraes em ao menos oito voos relacionados a Vorcaro.
A equipe de comunicação do ministro declarou que as alegações feitas na matéria são “absolutamente falsas”, afirmando que Moraes “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro” e que não o conhece pessoalmente. No entanto, neste domingo, um vídeo publicado pelo jornal O Globo apresenta Moraes e sua esposa desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, após um voo de jatinho realizado em 22 de agosto de 2025.
A aeronave utilizada, um Legacy 650 de matrícula PP-NLR, pertencia a uma das empresas de Vorcaro, conforme relatado pela imprensa. O escritório Barci de Moraes sustentou que as contratações feitas para os serviços de táxi aéreo baseiam-se em critérios operacionais, sem envolvimento direto com os proprietários das aeronaves. “A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos”, afirmou a nota.
Ainda segundo a reportagem, o voo em questão ocorreu após negociações entre o escritório de Viviane e empresas de Vorcaro para um suposto segundo contrato, avaliado em R$ 50 milhões. O escritório, no entanto, nega a existência desse contrato. A Polícia Federal (PF) informou que a proposta foi iniciada entre o escritório e a Viking Participações, empresa de Vorcaro, em 12 de maio de 2025, com um período de três anos para a prestação dos serviços.
Aderindo à investigação, a PF revelou que, poucos dias depois, um acordo foi estabelecido em 19 de maio para definir como os R$ 50 milhões seriam pagos. Parte significativa do valor, cerca de R$ 40 milhões, deveria ser quitada por meio de participação em duas empresas de aviação. O contrato com a Viking surgiu após outro compromisso entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
Esse primeiro contrato, assinado em janeiro de 2024, estipulava o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões, totalizando um montante de R$ 131 milhões, caso fosse respeitado. Após deduzir os impostos, o valor líquido ficaria em R$ 108 milhões.
Em uma defesa apresentada ao STF na terça-feira (15), Moraes reiterou a negativa sobre a existência de um segundo contrato envolvendo o escritório de sua esposa e empresas ligadas a Vorcaro. “INEXISTIU SEGUNDO CONTRATO OU QUALQUER OUTRO VÍNCULO do escritório Barci de Moraes com o Banco Master, Daniel Vorcaro ou qualquer das empresas ligadas a eles”, declarou Moraes.
O escritório Barci de Moraes, em sua nota oficial, ressaltou que utiliza serviços de táxi aéreo de várias empresas, como a Prime Aviation, e que as decisões sobre os voos dependem das equipes das companhias aéreas contratadas. “A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation”, completou.
Por fim, a comunicação do escritório foi clara ao afirmar que não existem contratos advocatícios com a Prime Aviation, nem aquisições em suas cotas. A situação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e seu escritório continua a gerar polêmicas e repercussões no cenário político e judicial do Brasil.