O cenário da indústria brasileira continua desafiador, conforme revela a última Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No segundo trimestre de 2026, o índice de satisfação dos empresários com suas condições financeiras subiu para 47,9 pontos, uma leve melhora que ainda permanece abaixo do limiar do otimismo, que é de 50 pontos.
Entre os fatores que têm dificultado uma performance mais robusta do setor, destacam-se o peso dos impostos, as taxas de juros elevadas e o custo alto de insumos e matérias-primas. Apesar do ligeiro aumento na percepção de lucro operacional e facilidade de acesso ao crédito — que subiram para 42,9 e 39,9 pontos, respectivamente — a insatisfação em relação à lucratividade persiste.
Desafios Econômicos Persistem
Os resultados da pesquisa evidenciam a contínua insatisfação dos empresários com a elevada carga tributária, mencionada por 33,3% dos entrevistados como o principal entrave para o setor. Este panorama é ainda mais agravado pela incerteza no cenário internacional e pela guerra no Oriente Médio, que tem elevado o custo das matérias-primas, identificada como um obstáculo por 31,2% dos industriais.
Além disso, mesmo com as recentes reduções nas taxas de juros pelo Banco Central — que, segundo os empresários, tiveram pouco impacto — 27,9% dos entrevistados ainda consideram as taxas elevadas como um dos maiores desafios ao desempenho de suas empresas. Esses aspectos refletem uma realidade econômica em que a insatisfação com as condições de financiamento e lucratividade continua a prevalecer.
Evolução da Atividade Industrial
Em junho, o índice de evolução da produção caiu para 48,4 pontos, indicando retração da atividade industrial em comparação a maio, sendo o pior resultado para o mês desde 2022. Além disso, a variação negativa no índice de evolução do número de empregados sugere uma redução dos postos de trabalho, permanecendo em 48,2 pontos.
Contrapõe-se a essa tendência negativa o avanço na utilização da capacidade instalada (UCI), que saltou de 69% para 70% em junho. Esse aumento representa um crescimento acumulado de quatro pontos percentuais no uso do parque fabril no primeiro semestre do ano, evidenciando uma melhora moderada na eficiência das operações.
Expectativas de Futuro e Investimentos
O índice que mede a evolução do nível de estoques mostrou uma leve queda, enquanto que o índice que compara o estoque efetivo com o planejado pelos empresários atingiu 50 pontos, estabilizando-se sobre a linha divisória. Esta mudança indica que os níveis de estoque estão alinhados com as expectativas dos empresários pela primeira vez em 2026.
Em relação às expectativas futuras, o índice de quantidade exportada apresentou crescimento, subindo 1,3 ponto para 51. Isso sugere um otimismo cauteloso entre os empresários, em contraste com o índice de intenção de investimento, que caiu para 53,2 pontos — uma diminuição que ocorre pela segunda vez consecutiva, embora permaneça acima da média histórica. Essas variações indicam um cenário misto, em que, apesar das dificuldades, há sinais de esperança em setores de exportação.
A CNI entrevistou 1.351 empresas, sendo 548 pequenas, 478 médias e 325 grandes, entre 1º e 10 de julho de 2026, para compilar os dados da Sondagem Industrial. A diversidade dos entrevistados proporciona uma visão abrangente da situação, refletindo as complexidades que os diferentes segmentos industriais enfrentam.
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