Nesta segunda-feira (25), o porta-voz do Parlamento do Irã, Ebrahim Rezaei, não poupou críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamando-o de “fracassado” e caracterizando suas declarações como “blefe”. Em uma postagem na rede social X, Rezaei disse: “Não acreditem no blefe do presidente fracassado, o tempo está contra os americanos”. Ele foi incisivo ao adicionar que, se os EUA desejam um acordo, devem negociar, mas se preferem ver o preço da gasolina subir a 6 dólares, que continuem na inação.
As declarações de Rezaei surgem em um momento delicado, com novas discussões sobre um potencial acordo para encerrar o conflito. Trump se manifestou no sábado (23), mencionando que se reuniria com seus assessores para avaliar uma proposta de Teerã. Ele deixou claro que, dependendo do desenrolar da situação, os EUA poderiam optar por um acordo “bom” ou, alternativamente, decidir pela ação militar contra o país persa.
Possível Acordo em Perspectiva
Recentemente, tanto autoridades dos EUA quanto do Irã indicaram que um acordo preliminar para encerrar a guerra poderia estar mais próximo. O papel mediador do Catar e do Paquistão foi destacado nas conversas em Teerã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os esforços diplomáticos continuam, assegurando que os EUA se mantêm firmes na demanda para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.
Durante uma visita à Índia, Rubio afirmou: “Mesmo enquanto falo com vocês agora, existem negociações acontecendo”. Ele expressou esperanças de que um comunicado sobre as discussões seja feito em breve. Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, frisou que, embora tenham havido avanços em algumas questões, um acordo final ainda não é iminente. Em suas palavras, não há garantias de que os Estados Unidos cumprirão suas promessas.
Baghaei reiterou que as discussões sobre o programa nuclear iraniano não estão na mesa neste momento. Além disso, ele ressaltou que o Irã deseja ver a guerra formalmente encerrada em todos os fronts, incluindo a situação no Líbano. Esta posição visa adiar as conversas sobre detalhes nucleares até que o término da guerra esteja oficialmente confirmado.
Pontos de Divergência nas Negociações
Apesar do clima de otimismo subjacente, os EUA e o Irã permanecem em desacordo sobre questões essenciais que complicam as negociações. Entre os tópicos debatidos estão as ambições nucleares do Irã, o conflito entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo país persa, as exigências iranianas para o levantamento das sanções e o acesso a receitas petrolíferas congeladas em bancos estrangeiros.
Um funcionário do governo Trump disse, sob condição de anonimato, que o Irã aparentemente concordou, em princípio, com a liberação do Estreito de Ormuz, em troca do levantamento do bloqueio naval dos EUA, além de dispor de seu urânio altamente enriquecido. Este funcionário acrescentou que o aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, respaldou a proposta geral de acordo. Contudo, questões sobre a forma como isso será implementado ainda geram incerteza.
Outro alto funcionário do governo indicou que a proposta atual daria aos negociadores um prazo de 60 dias para alcançar um consenso definitivo. Fontes iranianas revelaram que, em fases subsequentes, formas viáveis de resolver questões sobre o urânio enriquido poderiam ser discutidas, incluindo a diluição do material sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
As dinâmicas desses diálogos refletem a complexidade da situação no Oriente Médio, onde múltiplas facetas políticos e militares interagem, criando um cenário de dificuldades e incertezas nas negociações. Em suma, enquanto as partes tentam encontrar um terreno comum, a ansiedade permanece em ambos os lados em relação ao progresso e às intenções futuras.