A China implementará novas regras para investimentos no exterior, a partir de 1º de dezembro, em resposta ao crescimento do protecionismo e dos riscos geopolíticos.
A regulamentação, anunciada recentemente, busca ampliar os mecanismos de supervisão e proteção de investidores chineses fora do país. Além disso, estabelece novas exigências de autorização e prestação de informações, substituindo normas anteriores de 2017.
Impacto do Novo Regime de Investimentos
De acordo com informações da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), o fluxo anual de investimentos chineses no exterior cresceu de US$ 158,3 bilhões em 2017 para a previsão de US$ 213,6 bilhões em 2025. O estoque de investimentos saltou de US$ 1,8 trilhão para US$ 3,4 trilhões nesse mesmo período.
A NDRC justificou a revisão das regras considerando o aumento das práticas unilaterais, do protecionismo e conflitos internacionais, que intensificaram os riscos associados aos investimentos. As novas diretrizes buscam mitigar esses riscos, oferecendo maior transparência e segurança aos investidores.
Regulamentações para Setores Sensíveis
Com as novas regras, investimentos em países e setores que são considerados sensíveis, como regiões em guerra e áreas relacionadas a armamentos e mídia, precisarão de autorização prévia da NDRC. Essa estratégia visa proteger os interesses nacionais e evitar a exposição ao risco em áreas críticas.
Por outro lado, projetos que não se enquadram como sensíveis estarão sujeitos a registro, com supervisão da NDRC, seja em nível nacional ou provincial, dependendo do perfil do investidor e do montante a ser investido. Essa abordagem permitirá uma monitorização adequada das aplicações, garantindo que estejam em conformidade com as novas diretrizes.
Comunicações e Relatórios Anuais
Investimentos que superarem os US$ 100 milhões também exigirão comunicação antecipada às autoridades antes de atividades preparatórias significativas. As novas regulamentações também incluem exigências de relatórios anuais e mecanismos de fiscalização rigorosos, além de penalidades por descumprimento das normas.
A NDRC ainda ressaltou que alguns países têm adotado medidas discriminatórias contra investidores chineses, como exigências de transferência de tecnologia, fornecimento de dados e alienação de ativos. Essa situação levou a um aumento na necessidade de regulamentação rígida para proteger os interesses dos investidores chineses no exterior.
Restrições a Medidas Discriminatórias
Com as novas regras, Pequim tem a capacidade de restringir investimentos e transações que envolvam organizações estrangeiras que adotam práticas consideradas discriminatórias. Essas medidas visam proteger os interesses da China e de seus investidores, proporcionando um ambiente mais seguro para operações internacionais.
Além disso, as novas diretrizes permitem uma resposta ágil da China frente a ações de outros países que possam prejudicar seus interesses econômicos. Dessa forma, o governo busca garantir que os investimentos chineses no exterior sejam feitos com segurança e devidamente protegidos contra ações hostis.
Falta de políticas ESG é razão para brasileiro não consumir marca