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Protestos na França podem gerar agenda social ou anti-imigração: entenda!

Protestos na França podem gerar agenda social ou anti-imigração: entenda!

Os protestos na França têm gerado um cenário político complexo, onde o eleitorado pode se dividir entre uma busca por mudanças sociais e econômicas ou uma agenda anti-imigração. A análise é de Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais do Instituto Mauá, em entrevista ao WW.

De acordo com Pavese, ainda é prematuro traduzir diretamente os resultados desses protestos em votos nos próximos meses. “Existem causas estruturais e sociais que a pauta da extrema esquerda tende a abordar mais claramente, inclusive durante a campanha”, afirmou.

Conflito Ideológico em Meio aos Protestos

Pavese destacou que a crítica ao Estado neoliberal e à globalização excludente fazem parte da agenda da extrema esquerda, liderada por Jean-Luc Mélenchon. Uma parte significativa dos protestos é impulsionada por esse sentimento de insatisfação com as políticas atuais.

Por outro lado, a especialista alertou que uma minoria de manifestantes — os “casseurs”, saqueadores que causaram danos significativos — pode fortalecer uma narrativa que clama por maior controle e segurança, beneficiando a extrema direita.

Nesse contexto, Pavese notou que Marine Le Pen, ao acusar os imigrantes de estarem por trás dos saques, “sem qualquer fundamento”, tenta explorar os episódios de vandalismo para reforçar uma agenda xenófoba, típica da extrema direita.

A professora também ressaltou que, ao acusar a extrema direita de orquestrar os protestos, o presidente francês, Emmanuel Macron, concedeu a seus adversários uma vantagem política em um momento em que o centro político parece estar desaparecendo.

Cenário Econômico e Crise Fiscal

O cenário econômico na França foi também tema central da entrevista. Dados do Financial Times indicam um aumento significativo no custo da dívida francesa em comparação à dívida alemã, gerando incertezas sobre a capacidade do governo em estabilizar a economia.

O analista internacional da CNN, Lourival Sant’Anna, acrescentou que o governo tentou implementar cortes de € 54 bilhões no orçamento de 2027, mas voltou atrás para € 44 bilhões, ainda enfrentando enormes dificuldades para equilibrar cortes de gastos com aumentos de impostos.

Entre os fatores estruturais que agravam a crise estão a perda de competitividade em relação à China, mudanças climáticas, imigração desordenada ocorrida há cerca de dez anos, choques energéticos decorrentes do conflito na Ucrânia e uma população envelhecida, que aumenta a pressão sobre a previdência e os serviços de saúde.

“Se vocês querem vender o nosso futuro, nós vamos impedir o presente”, sintetizou Lourival, capturando a essência da mensagem dos manifestantes.

Rumo ao Futuro: O Que Esperar do Eleitorado?

Pavese enfatizou que será crucial observar, quando a turbulência dos protestos se acalmar, qual direção o eleitorado francês tomará. “Se eles buscarão uma agenda que enfatize a necessidade de transformações sociais e econômicas, ou se realmente apoiarão a pauta da extrema direita”, argumentou.

Essa questão é central para o futuro político da França e reflete um descontentamento que vai além dos atos violentos. Com a polarização política em alta, o país está à beira de uma mudança significativa na forma como seus cidadãos veem políticas públicas e governança.